Depoimento do escritor Diego Moraes para Belchior

belchior

Nesta quarta-feira (26), o cantor e compositor Belchior completa 70 anos. Um dos maiores nomes da nossa música, Belchior transformou gerações. Para comemorar, o Livre Opinião – Ideias em Debate realizará diversas homenagens e depoimentos de artistas que tiveram influências das letras e canções do trovador da MPB. Leia abaixo o depoimento da escritor Diego Moraes:

Sou fã do cara. Escrevi belos poemas pra ele. Escrevi um livro com o nome dele no título “meu coração é um bar vazio tocando Belchior”. A música dele me acompanhou por um tempo em fundos de bares escuros. Embalou uma época da minha vida que julguei sem esperança. Sem amor. A voz dele me bastava. Fez-me companhia num tempo que vivi sem paixões. Todo mundo tem o direito de se desencantar com o mundo. De desacreditar no ser humano e dar as costas para o passado. Ninguém sabe o peso do fardo que cada um carrega nas costas. Parem de encher o saco do cara. Ele cansou desse mundo de falsidades e tapinhas nas costas. De amizades por interesses e vaidades. Resolveu fugir desse circo. Belchior não é pai de vocês. Ele não está devendo pensão alimentícia pra nenhuma criança do Facebook. Não deve satisfações pra síndico de textão. Ele fez a história dele. Deixou um legado de lirismo em canções matadoras. Vão tomar no cu e arrumar um lote pra capinar. Belchior é um santo e vocês não passam de meros cocozinhos de pombos sujando a praça.

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Um comentário sobre “Depoimento do escritor Diego Moraes para Belchior

  1. Há dois anos, escrevi esta carta para ele:
    Caro Belchior,
    Você apontou o caminho da liberdade plena, fugiu da ilusão que cerca a todos nós, para ser livre, bem sei que tens pressa de viver e por aqui, onde os chiques profissionais nos cercam é impossível respirar, principalmente, para aqueles que possuem o coração em carne viva como tu.
    Discordando de um jovem compositor, apenas pelo sabor do gesto, se há dias em que a vida é um ato de coragem, não seria covardia permanecer engessado pela rotina enquanto a maioria dorme?
    Aquele gaúcho influenciado por ti, disse que ninguém se importa com uma canção, então por que sua obra grita aos ouvidos sensíveis atentos? Consolando, confortando, entende tão bem das coisas sem jeito que há lá dentro do peito.
    Na metrópole cinza, não se pode ter medo de abrir a porta, pois a solidão é a vegetação de cactos com a qual sempre esbarramos, sangramos e seguimos.
    Sim, você estava quase certo, pelas discussões e gestos intolerantes que assolam a nossa pátria, ainda somos os mesmos e vivemos de maneira um pouco mais retrógrada que os nossos pais. Só não vê quem vestiu e acreditou na fantasia de pós-moderno!
    Pararei de escrever, sei que desejas que eu saia do teu caminho, também já tive lágrimas nos olhos em ler o Pessoa: Vão para o diabo sem mim/ Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!

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