Santiago Santos: Solidão Desabrocha Paralelismos Ainda Não Estudados

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Acorda muito cedo. Se arruma, faz o café da manhã na cozinha, prepara o suco de laranja e volta pro quarto. Ergue o colchão, se equilibra no primeiro degrau segurando a travessa, desce lentamente até o fundo e abre a porta do quarto. Deixa o café da manhã preparado na mesa de canto e parte pro trabalho.

Acorda, senta-se à mesa de canto e toma o café da manhã. Se arruma, pega o terno estendido no varal da lavação, passa-o sobre a tábua de madeira, pendura num cabide e volta pro quarto. Abre a porta, sobe a escada, sai de dentro da cama com o colchão erguido, deixa a travessa com a comida e o suco na mesinha de canto, pendura o cabide na porta do armário e parte pro trabalho.

Acorda tarde, se arruma, sai pela janela e entra pela outra janela do quarto. Come os restos frios do café da manhã na mesinha de canto, toma o último gole do suco de laranja, lava a louça na cozinha e a deposita no escorredor. Volta pro quarto, veste o terno passado e parte pro trabalho.

Volta pra casa bem cedo, faz o jantar em quantidade exagerada, deixa dentro do forno, toma banho e lê As aventuras de Gulliver no sofá da sala enquanto espera a fome chegar. Quando a geladeira está vazia, compra um litro de leite, laranjas, um garrafão de água e cervejas no mercadinho da rua. Mas há muito não fica vazia.

Volta pra casa no horário de pico. Chega estressado, anda na esteira pra despoluir a cabeça, toma um banho, abre a porta do quarto, sobe a escada e sai pelo buraco da cama. Deita o colchão, liga a TV e assiste novela até a fome chegar. Uma vez por semana compra bebidas no mercadinho da rua. Hoje não é dia.

Volta tarde porque chega tarde, fuma um cigarro na varanda, coloca a roupa na máquina e a deixa com a tampa aberta pra juntar às outras. Toma um banho demorado, ouvindo o rádio, e só sai quando sente o estômago roncar de fome. Se arruma, sai pela janela e entra pela outra janela do quarto, se vê assistindo TV na cama, se convida pra janta, ambos saem pela casa até a sala, onde se veem lendo um livro, e então se sentam à mesa pra degustar o prato da noite.

Obviamente, um lava, outro seca e outro guarda a louça, e então se despedem, que é bom ter alguém pra se despedir antes de deitar, e pensam que três é mesmo um bom número, superior a qualquer outro.

santiago santos

Parceria Flash Fiction
Arte da vitrine por Jean Fhilippe
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