Débora Arruda: Arco Reflexo

25-muitos-tons-de-cinza

ARCO REFLEXO

fiquei presa mais uma vez
dentro das suas surpresas
meus fragmentos se espalharam
por todos os cantos
de norte a sul de mim

meu único pedaço frio
foi o cérebro
que você deixou dividido
em partes desequilibradas
a metonímia dos olhares alheios
la parte per il tutto
uma fatia congelada
de quem possuía
a mais alta temperatura
em sua pele

eu nunca soube
quantos neurônios
moravam dentro de mim
até começar a perdê-los
passo a passo
como dois desconhecidos
que tropeçaram na multidão
o número 1 se cortou
e foi embora
com o joelho ferido
sem olhar para trás

descobri que era cabo
o verdadeiro nome
daquilo que eu seguramente
chamava de músculo
pois quando meu crânio se despedaçou
foi como se cortassem a energia
do computador central
que comanda todos os fios condutores
menos os da minha mão
que ainda funcionam
enquanto te escrevo esse poema

sinto saudades do lado esquerdo
e também do lado direito
ainda permaneço hemisferiada
mas agora em antes e depois de ti

o amor é mole
feito um pudim empedrado
e não divide por igual
talvez o meu sistema
não seja nervoso de nascença
ele apenas não encontrou a calma
depois de várias tentativas
de administrar o sangue
vindo de um coração
que perdeu a cabeça.

debora-arruda

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