Livro ‘Outras Vozes’, de Plínio Camilo

capa-outras-vozesMadalena nasceu sem os braços, mas atinou que depois de abraçar as pessoas com as pernas, boca e ouvido, as criaturas ficavam felizes. A escrava ganhou fama. Frei João da Luz chegou a contar que no meio daquele abraço tinha visto a verdadeira face de Cristo. Sua história e muitas outras estão em Outras Vozes – contos sobre o negro escravizado no Brasil, do autor Plínio Camillo.

A obra mistura ficção a fatos reais, em 33 contos, e dá ao negro do período escravocrata uma voz dissonante, situando-o como protagonista, ora o oprimido, ora o opressor. Temas sobre os quais pouco se fala na historiografia oficial, como a inúmera presença de negros muçulmanos na Bahia, são tratados de forma bastante original.

As cicatrizes nos lembram onde estivemos e não têm que ditar para onde vamos!

Em narrativas que muitas vezes flertam com a sonoridade do poema, Camillo transporta o leitor para variados cenários e enredos, desde a vinda nos navios negreiros e o trabalho nas fazendas, passando pelos “negros de estimação”, até os alforriados que trabalhavam nas cidades.

Zulmira, que teve os seus filhos vendidos, Ifigênia, a cozinheira desdentada, João Criolo, o escravo faiscador, Antônio, o negro alforriado são alguns dos personagens do livro, que traz também contos inspirados em fatos reais da história brasileira, como o que relata o flagelo do alufá Bilal Licutan, um dos líderes da Revolta dos malês de 1835, condenado a 24 dias de açoites.

Conheça o site Outras Vozes

O autor conta que pesquisou por cerca de vinte anos livros e documentos sobre a escravidão. Diz ter encontrado muitos textos importantes, mas nenhum deles trazia o negro como protagonista de sua própria história. “Era apenas a imagem estereotipada do vitimizado em busca de liberdade”, comenta.

Leia uma entrevistas com os fundadores da 11Editora

Há quatro anos, começou a rascunhar as primeiras histórias, mas não se agradou com os resultados. Em 2013, escreveu Minha Lorinha – texto que mostra relação de apego de uma escrava e sua senhora. Foi aí que encontrou a voz que buscava para os contos que se seguiram. “Dei personalidade, outras facetas, outros olhares, outras vozes, para levar aos leitores boas histórias”, comenta: “São páginas escritas com muita potência e capazes de tornar o autor Plinio Camillo porta-voz de uma etnia que matiza 52% dos brasileiros”, afirma a jornalista e escritora Nanete Neves, que assina a orelha da obra, prefaciada pelo presidente da Fundação Pedro Calmon, Zulu Araújo.

Outras vozes, de Plínio Camillo, não deve ser lido como uma história de ninar, que objetiva a manutenção do status quo opressor, mas sim como discurso dissonante, voltado para incomodar. Longe de construir uma narrativa única e dualista, Camillo cria uma colcha de retalhos de narrativas e experiências de vida, restituindo a humanidade negada aos negros e negras vítimas da escravização.”  Professora Cátia Maringolo – LITERAFRO.

Para adquirir – 11Editora: http://www.11editora.com.br/index.php/outras-vozes.html

Contato: Plínio Camillo – email: pcamillo60@uol.com.br

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