3 poemas de Tamires Frasson

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SORTE A MINHA

Enquanto tudo pede pressa
E o relógio da vida
Trabalha em ritmo acelerado,
Eu mantenho a calma,
Inspiro ternura
E transbordo amor.
Às vezes os caminhos são cruéis,
O fardo pesado
E as pessoas infiéis.
“Mais vale dez cães a um humano”,
Sempre diz minha avó.
E a dança dos dias me ensinou
Que minha avó é sábia
E cheia de razão:
Mais vale o cão!
Tão difícil manter o equilíbrio
E não se perder nesse abismo,
Não se deixar levar pelas ideias levianas
E saber o que trocar numa mesa de bar.
Na correria, os detalhes passam despercebidos…
As cores, o canto dos pássaros,
O casal no banco da praça
E o senhor lendo jornal.
É que hoje, o que realmente importa
É ter uma boa imagem virtual.
Sorte a minha não ser assim!
Prefiro a preguiça,
Trocar as cortinas,
Sorrir para o vizinho,
Fugir da rotina.
Sorte a minha ser tão esquisita,
Amar cada situação,
Ter raízes na cabeça
E uma órbita no coração.

ParaDORxos

Sobre viver todos os dias:
Gritos de silêncio
Soam o nada e o tudo,
Coração em erupção,
Pensamentos que flutuam.
Aprendeu a atuar,
Melhor papel:
Sem ensaiar.
Escorrega na própria água
Que transborda,
Vira lama,
Se entrega,
Se engana.
Erra ao confiar,
Mas acerta ao duvidar.
Do avesso e ao contrário,
Sobra espaço,
Não faz mal,
Resta só o necessário no final.
Corre pra fugir,
Não sai do lugar,
Não tem pra onde ir.
Se as correntes são internas
A prisão será perpétua.
Liberdade é entender,
Equilibrar os sentidos,
Descobrir os motivos
E logo enlouquecer.
Faz calor lá fora,
Mas dentro jaz o frio.
Desorganiza o arrumado
Preenchendo o vazio.
Enobrece na pobreza,
É feliz na tristeza,
Busca o inútil
E arduamente conclui:
“A vida não é nada sutil!”

Às vezes me sinto culpada
Por ser intensa demais.
Mas culpa mesmo
Tem a humanidade:
O vazio das pessoas
Sempre rouba minha paz.
Crio meus próprios paradigmas,
Divido-os, reconstruo-os – quando necessário,
Compartilho minha (in)sanidade,
Mas recebo em troca a ingratidão
E o controle da minha liberdade.
Na contemporaneidade,
Num sistema cheio de padrões,
Onde todos estão perdidos
Buscando por soluções,
Quem pensa e sente demais
É visto como malandro…
Então deixe-me aqui
Viver (d)a minha malandragem
E criar meus próprios ideais.
Buscando inspiração
Nos pequenos detalhes
Que sempre passam despercebidos
Em meio a multidão,
Me deparo com o inútil
Que atrasa minha evolução.
Falar de sentimento é fácil,
Difícil é fazer acontecer.
Ninguém liga,
Ninguém vai te escutar
Enquanto você grita.
E quando você se esconde,
Quem vê?
Eles se importam mais
Com a programação da tevê.
Mendigar atenção
É por em risco e perder
O real valor das coisas,
É alimentar a ilusão
E ferir o coração.
Ê mundo cão!

tamires-frasson

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