3 poemas de Tamires Frasson

azulescuropb

20/10 – aos amigos poetas
Poeta é aquele
Que não nasce chorando
E sim, declamando.
Fazemos poesia todos os dias,
Na dor, na tristeza,
Na conquista e na alegria.
Tiramos nossos sentimentos pra fora,
Transmitimos para o papel,
Nosso brinquedo é uma caneta
E o verso, nosso parceiro fiel.
Com poucas palavras
Resumimos o dia,
Um amigo, um namorado
E aquele sofrimento
Que vivia “entalado”.
Ser poeta é não ter casa
E viver nas angústias dos outros,
Na (in)sensibilidade alheia,
No sorriso bonito,
No choro da criança
E na alma que semeia.

Quando nós estamos juntos
Os corpos se entrelaçam,
As almas se esboçam
E sem sair do lugar,
Dançamos no mesmo compasso.
A divisão da sanidade
Somada à multiplicação das nossas loucuras
Resulta em momentos intensos
De serenidade e algumas aventuras.
Quando nossos olhares se cruzam,
Tento manter o momento discreto
E sorrir apenas com as pálpebras,
Mas a magia do instante me entrega
E logo caio em gargalhadas.
Sem definições e padrões,
Prefiro apreciar a doçura de cada encontro,
A liberdade dos sentimentos
E a beleza que vem de dentro.
Não importa por quanto tempo,
Motivo ou espaço:
Eu quero ele no meu “pedaço”.
Coloco o orgulho de lado
E confesso que só tenho a agradecer
Por ter trazido vida
Onde nada mais brotava
E agora tudo está a florescer.
Para poder chegar a uma conclusão,
Deixo pra trás minha insegurança e confusão
E logo esqueço meu desleixo.
É que esse menino desalinha minha órbita
E me tira completamente do eixo.

Um emaranhado de nós num coração tão singelo. A dor por buscar simplicidade, beleza no mínimo, e ser atropelada pelos excessos presentes no cotidiano. Uma mente barulhenta que só encontra o silêncio e a calmaria enquanto o consciente dorme. A junção de “deixa pra lá”, com “volta aqui”. O medo dos términos e a ânsia pelos recomeços. A alegria em perceber que “passou” e a saudade que ficou. A maré alta e a seca desgraçada. O que evapora, mas que também pode transbordar. A lucidez e a insensatez. O realismo que desperta, a visão utópica e a leitura poética. A ultrapassagem perigosa e a velocidade reduzida. O transe e a monotonia.
Talvez isso tudo possa resumir o meu “eu”. Talvez seja apenas a resenha do que eu ACHO que sou.
Não há absoluta certeza em nada.
Prefiro cultivar a dúvida.
Sigo em transformação.

tamires-frasson

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