O Itaú Cultural apresenta a peça ‘Cárcere’ que traz a visão de um presidiário prestes a ser refém de uma rebelião

Dentro da programação da série Terça Tem Teatro, o monólogo de Vinícius Piedade propõe uma reflexão sobre a liberdade por meio dos olhos de um pianista encarcerado; a peça dialoga tanto com a atual crise presidiária quanto com as prisões individuais que nos cerceiam

 

Cena 'Cácere' (Foto: Valmir de Lara)

Cena ‘Cácere’ (Foto: Valmir de Lara)

Já apresentada em nove países nos últimos oito anos, a peça Cárcere chega ao Itaú Cultural no dia 14 de fevereiro, às 20h, como parte da programação Terça Tem Teatro. O espetáculo trata de uma semana na vida de um pianista que, privado da liberdade e de seu piano, será refém em uma rebelião iminente. No cárcere, ele vive em contagem regressiva e suas expectativas, impressões, lembranças, reflexões e sensações são expressadas em um diário iniciado em uma segunda-feira e encerrado quando estoura a rebelião, um domingo.

“A peça pode ser o retrato de um dos mortos nas recentes rebeliões presidiárias”, comenta o ator, diretor, iluminador e coautor da peça, Vinícius Piedade. Jogando luz em temas como a precarização das prisões e a ineficácia na ressocialização dos ex-presidiários, o monólogo propõe uma visão humanizada para a atual crise no sistema carcerário brasileiro. “Essa história emblematiza tantos casos de presidiários que não têm histórico associado ao crime, mas que facilmente são coptados e mortos em rebeliões”, completa.

Além disso, a narrativa de Cárcere é um convite para o público refletir a respeito das liberdades e prisões que nos rodeiam. “Meu diário é uma metáfora para casamentos aprisionantes, relações encarceradas, trabalhos acorrentadores, mentes algemadas, vidas encarceradas mesmo que em liberdade”, afirma o protagonista em cena.

A proposta estética da peça percorre diferentes camadas e linguagens, desde o humor corrosivo de um homem em estado de sítio a momentos essencialmente corporais. “Eu preferia tocar piano e dizer o que tenho para dizer em ritmo e disritmia, mas como aqui não tem piano eu escrevo, mesmo sem saber fazer poesia”. Por meio de uma linguagem acessível e visceral, a peça leva à cena camadas de profundidade que visam proporcionar ao público um mergulho em diferentes perspectivas de ser e estar preso. Ou livre.

A história

Diante da dificuldade de se sustentar com a música, um pianista aceita o convite de um amigo que lhe oferece um bico de venda de drogas, aproveitando o fato de ele ter contato com tanta gente nos tantos bares onde toca o piano. Na prisão, ele tenta negociar com a direção do presídio a entrada do seu instrumento para ensinar outros presos a tocar, quando líderes de facções criminosas acham que essas conversas são caguetagem, o jurando de morte.

A direção da cadeia, em uma tentativa precária de protege-lo, o  coloca na Ala dos Seguros, junto a outros presos que correm risco de vida. O problema é que quando há rebelião na cadeia, quem é candidato natural a refém é justamente quem está́ nessa ala.

Quando começa a surgir um boato de que uma rebelião está na iminência de estourar, ele começa a escrever um diário. Aqui começa a peça. O pianista, apelidado Ovo, está em uma semana decisiva de sua vida, entre a segunda-feira, quando descobre que será refém, e domingo, quando estoura a rebelião. Trata-se, então, da teatralização do diário escrito por esse preso na semana em que vive uma espécie de contagem regressiva. Suas reflexões, lembranças e razões para, como escreve, continuar se equilibrando na linha tênue entre persistir e desistir. “Na beira do vulcão prestes a entrar em erupção, na linha do trem que está vindo, na mira da bala com a arma já́ engatilhada”, como expressa o ator em solo no palco, em vibrante contato direto e indireto com o público.

Concepção

Depois de percorrer alguns presídios do estado do Espírito Santo apresentando o espetáculo solo Carta de um Pirata, Vinícius Piedade propôs ao dramaturgo Saulo Ribeiro uma peça que refletisse sobre a liberdade pelos olhos de um pianista privado da sua e, assim, de sua arte e do seu piano. Na criação do texto, o coautor Saulo Ribeiro se baseou em acontecimentos reais dos quais teve conhecimento e vivência na época em que foi professor no sistema prisional.

Foi Ribeiro quem levou Vinícius aos presídios do Espírito Santo para se apresentar. Nessa busca de encontrar o público onde quer que esteja, a peça foi apresentada em presídios de seguros, de segurança média, femininos e de reabilitação. Depois das apresentações, desse encontro do artista e sua peça com esse público em situação limite, o ator quis expressar e investigar a liberdade.

Sua busca, que a princípio era simplesmente realizar a peça nesse contexto, por julgar o teatro uma arte de humanização, passou a ser investigar artisticamente essa questão. Para isso, contou com Ribeiro, historiador, escritor, advogado e ex-professor no sistema prisional. O processo de escrita da peça foi feita a quatro mãos.

O pianista Manuel Pessôa também foi uma figura decisiva nessa construção, sendo responsável pela criação musical que permeia toda a peça. A relação do ator com a trilha sonora é muito intensa, já́ que a música entra como um fator decisivo na estética de impacto. O fato de o preso ser pianista intensifica mais ainda a presença da música, que passeia em diferentes intensidades em consonância com os momentos vividos pelo preso.

Sobre o artista

Vinícius Piedade participou do Projeto Solos do Brasil, aprofundando estudo sobre técnicas de teatro solo. Estudou direção teatral com Antônio Abujamra e Gianni Ratto, mímica com Luís Louis, dança com Hugo Rodas, texto corporal com Eduardo Coutinho, filosofia e estética com Luís Fuganti, canto com Caio Ferraz, teatro essencial com Denise Stoklos, teatro dinâmico e máscara neutra com Ricardo Napoleão, teatro do oprimido com Armindo Rodrigues Pinto e interpretação com Telma Vieira.

Escreveu, dirigiu e atua no espetáculo solo Carta de um Pirata, que percorre todo país desde 2003, com mais de 400 apresentações. É autor do livro de contos Trabalhadores de Domingo, publicado em 2003, e de Essas moças que me causam Vertigens, de 2007. É autor e diretor do espetáculo Dias de Anestesia, que fez temporada no ano de 2006 em São Paulo. Dirigiu e atua no espetáculo Indizível, com texto em coautoria com Aline Yasmin e direção musical de Manuel Pessoa de Lima, estreado em 2008 e que continua em repertório.

Escreveu, dirigiu e atua no espetáculo Identidade (…),que estreou no SESC Consolação em São Paulo-SP no mês de março de 2012 e que continua em repertório. Em 2013, estreou o espetáculo 4 Estações, com seu texto e direção e atuação com Gabriela Veiga. Em 2015, estreou o espetáculo Ninguém Vai Rir como autor e diretor. Realiza turnês com seus quatro espetáculos solo em repertório que já aconteceu em dez países de cinco continentes.

Cena 'Cácere' (Foto: Valmir de Lara)

Cena ‘Cácere’ (Foto: Valmir de Lara)

SERVIÇO

Terça Tem Teatro

Cárcere

Dia 14 de fevereiro (terça-feira), às 20h

Texto: Saulo Ribeiro e Vinícius Piedade

Atuação, direção e iluminação: Vinicius Piedade

Trilha sonora: Manuel Pessôa

Duração: 75 min

Classificação Indicativa: 14 anos

Interpretação em Libras

Sala Itaú Cultural (254 lugares)

Entrada gratuita

Distribuição de ingressos:

Público preferencial: 2 horas antes do espetáculo (com direito a um acompanhante)

Público não preferencial: 1 hora antes do espetáculo (um ingresso por pessoa)

Estacionamento: Entrada pela Rua Leôncio de Carvalho, 108

Se o visitante carimbar o tíquete na recepção do Itaú Cultural:

3 horas: R$ 7; 4 horas: R$ 9; 5 a 12 horas: R$ 12.

Com manobrista e seguro, gratuito para bicicletas.

Acesso para pessoas com deficiência física

Ar condicionado

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