Livro “Crônicas de um ano em crise”, de Thiago Lee

 

sem-titulo-1Mês de maio / pág. 17

A ansiedade me deixou paralisado.

A ansiedade me fez correr 10km dentro da minha mente.

Me fez pular em um abismo de memórias.

Fez eu perder o ar me afogando em um mar de medos.

Mas como a ansiedade está me levando a esses lugares, se eu estou paralisado?

A depressão me tirou o seu sorriso.

Colocou lágrimas em meu lápis.

Me amarrou em uma cama de emoções.

Me sedou com a droga da apatia.

A depressão foi a minha amante na traição do meu amor.

Essa amante me quer na cama todos os dias.

Não me deixa sorrir para você.

A depressão abraça o meu passado, aperta o meu presente e venda o meu futuro.

Como eu posso tirar essa venda, se a ansiedade me mantém paralisado.

 

 

 

Ensaio sobre os homens da minha vida.

 

O meu querido deixou um copo meio vazio, um cheiro de Bourbon e três cubos de gelo.

Deixou sua marca de impressão na minha nuca, seus lábios na borda do copo e a mordida em um partido coração.

 

O vento na Central espalha as cinzas do seu cigarro mentolado.

Anuncia o fim da calmaria e um temporal de verão.

O meu querido deixou a sua guitarra sem sol.

Pelo jeito violento de tocar e o descaso em me olhar, o seu brinquedo não vai soar essa noite.

 

Você perdeu ela, porém me deixou também.

Três cubos de gelo derretem e apagam a marca que deixou.

Descascam minhas unhas pintadas de azul.

Uma cor mais quente que eu pintei para te encantar, para me notar, mas a sua mente quebrada desviou o olhar até aquele que não quer lhe amar.

 

Seja forte pois a vida é difícil. Meu pai me ensinou.

Seja homem, pois quem sabe assim deus lhe ajuda.

Passando pelas estações onde a sua ambição me conquistou, tento aguentar.

Não tenho o toque de Midas de meu irmão e nem uma alma pura para lhe dominar.

Somente tenho um sorriso quebrado e vozes que brigam comigo por te amar.

 

Enquanto o ônibus cruza com a vista de botafogo, me pergunto se você vai voltar.

Antes de terminar de passar por ela, por favor, me diga que vai sentar ao meu lado.

Durma no meu colo, hoje no caminho de volta eu prometo não chorar.

Serei a sua lua essa noite, vestir suas jóias, lhe amassar sob a seda.

 

Me deixe tocar o seu brinquedo enquanto sussurro uma canção de ninar.

Enquanto chorei sozinho no quarto do hotel, abandonado em 10 graus na Osório park, deus sabe que eu tentei.

Enquanto esperei naquela fila em que estávamos e segurava o seu ingresso, eu te amei.

Enquanto você olhava no celular o recado e o coração de outro, por mais de cinco minutos, te fitei, te amei, deus sabe que eu tentei.

O meu querido esqueceu suas pílulas, transformou em terapia o amor de outro.

O outro homem é mais forte e belo do que eu.

Um sotaque mediterrâneo que geme e exprime as palavras que lhe neguei.

Enquanto pedala por Florença, ele é mais são do que eu.

Eu entendo, o outro homem não lhe fez chorar e nem causou dor igual eu causei.

Não lhe amou por turbulentas estações e parece ser mais homem do que eu.

 

O meu querido exprimiu notas de amor enquanto me ajoelhei a seus pés.

Se deuses existem, porquê deixam nascer anjos e demônios para se amarem e se matarem?

Nessa terra selvagem o meu anjo me deixou.

Nessa chuva de verão o meu querido não anda mais ao meu lado.

Nesse copo o cheiro de Bourbon sumiu.

Ao som de um triste blues, enrolados em seda, esse encontro de hoje parece um adeus.

 

Pode me deixar sozinho em frente ao bistrô, o meu choro nessa praça não deve lhe impedir de encontrar os braços de um novo amor.

O nosso verão acabou, fique bem, pois um dia encontro mais alguém para dançar bêbado ao som de poemas recitados por vozes de mentes apaixonadas e almas conturbadas.

No canto do quarto há uma guitarra sem sol, um vazio copo rachado e lascas de esmalte azul.

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