Instituto Figueiredo Ferraz recebe a mostra ‘Filmes e Vídeos de Artistas’ na Coleção Itaú Cultural

Seguindo na itinerância da exposição, o instituto leva para Ribeirão Preto um recorte de seu acervo de videoarte com destaque para a vídeo-performance Ordinário (2013), de Berna Reale; no total, são 13 trabalhos datados desde 1972, de autoria de artistas como Rubens Gerchman, Regina Silveira, Nelson Leirner e Rivane Neuenschwander; o coquetel de abertura conta com uma visita guiada pelo curador da exposição, Roberto Moreira S. Cruz

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De 21 de fevereiro a 29 de abril,  o Itaú Cultural e o Instituto Figueiredo Ferraz exibem em Ribeirão Preto a exposição itinerante Filmes e Vídeos de Artistas na Coleção Itaú Cultural, com 13 obras nacionais representativas de videoarte que perpassam os últimos 40 anos do gênero no Brasil. O coquetel de abertura acontece no dia 18 de fevereiro, entre 16h e 19h30, com uma visita guiada com o curador, Roberto Moreira S. Cruz, marcada para às 17h30. Recorte do acervo do instituto paulistano, mostra  obras de relevância do gênero, como a video-performance Ordinário, realizada em 2013, por Berna Reale, e trabalhos de Paulo Bruscky, Rubens Gerchman, Regina Silveira, Nelson Leirner, e Rivane Neuenschwander.

Esta obra de Berna representa um marco em sua carreira pois foi uma das que a artista apresentou na 56ª Bienal de Veneza, em 2015, cuja participação a projetou como uma das maiores artistas do Brasil na atualidade. Antes de Ribeirão Preto, Filmes e Vídeos de Artistas na Coleção Itaú Cultural passou por Fortaleza (CE), Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Belém (PA), Recife (PE), Curitiba (PR), Porto Alegre (RS) e no próprio instituto em São Paulo.

Para cada uma destas cidades, o curador preparou um recorte diferente. No Instituto Figueiredo Ferraz, as obras são divididas em três salas: uma delas contém os vídeos históricos, das décadas de 1970 e 1980. Nas duas seguintes, estão os demais vídeos e a instalação Mar (2008), de Letícia Ramos. Roberto Moreira S. Cruz é consultor da Coleção de Filmes e Vídeos do Itaú Cultural e assinou a curadoria de Cinema Sim: narrativas e projeções (Itaú Cultural, 2008); Fluxus 2011 (Oi Futuro – BH); Fluxus Black and White (Oi Futuro – BH, 2012) e Coleção Itaú Cultural de Filmes e Vídeos (em São Paulo e itinerâncias).

A coleção

A Coleção Itaú Cultural de Filmes e Vídeos de Artistas começou a ser formada em maio de 2011, com o seminário Filme, Vídeos e Arte: Compartilhando Experiências. O encontro aconteceu no Itaú Cultural e representantes de centros culturais e galerias, colecionadores e especialistas debateram sobre melhores práticas voltadas para constituição de acervos e das metodologias de conservação e difusão de obras de arte audiovisuais. A partir disto, o instituto passou a organizar o acervo consciente da importância dessa produção pioneira no país, e, fundamentalmente, de sua conservação, valorização, preservação e difusão. A iniciativa é inédita no Brasil onde não se tem notícia de outras instituições culturais que possuam esse tipo de coleção, que traz ao observador a força inventiva destas imagens.  Atualmente,  o acervo de videoarte do instituto possui 20 obras:

  1. Partida (2005), de Alberto Bitar
  2. Passagens #1, (1974), de Anna Bella Geiger
  3. Ordinário (2013), de Berna Reale
  4. Coletas, (1998 /2005), de Brígida Baltar
  5. El Pintor Tira el Cine a la Basura (2008), de Cao Guimarães
  6. Memória – Cristaleira (2001), de Eder Santos
  7. Cinema (2009), de Eder Santos
  8. Amoahiki – Árvores do Canto Xamânico (2008), de Gisela Motta e Leandro Lima
  9. Marca Registrada (1975), de Letícia Parente
  10. Mar (2008), de Letícia Ramos
  11. Projeção 0 e 1 (2012), de Luiz Roque
  12. Homenagem a Steinberg – Variações Sobre um Tema de Steinberg: As Máscaras Nº 1 (1975), de Nelson Leirner
  13. Registros (Meu Cérebro Desenha Assim) (1979), de Paulo Bruscky
  14. Xeroperformance (xerofilme), (1980), de Paulo Bruscky
  15. After a deep sleep (getting out), (1985), de Rafael França
  16. A arte de Desenhar (1980), de Regina Silveira
  17. Sunday (2010), de Rivane Neuenschwander e Sergio Neuenschwander
  18. Triunfo Hermético (1972), de Rubens Gerchman
  19. Translado (2008), de Sara Ramo
  20. Planeta Fóssil (2009), de Thiago Rocha Pitta

 

As obras na exposição no IFF

  1. Passagens #1, (1974), de Anna Bella Geiger

Por meio de uma narrativa sem começo nem fim, o trabalho revela a expressividade formal de uma mesma ação – o ato de andar pelos degraus de uma escadaria –, apresentada repetidas vezes. Anna Bella Geiger faz parte da geração pioneira de videoartistas brasileiros. Realizou cerca de três obras utilizando o portapak, primeiro equipamento de vídeo portátil disponível no mercado audiovisual da época. Em seus trabalhos, a relação entre a ação e o procedimento de captura da imagem cria um modelo narrativo próprio da linguagem da videoarte, frequentemente presente na produção daquele período histórico.

  1. Ordinário (2013), de Berna Reale

Vestida de negro e com um semblante lânguido, a artista caminha solenemente pelas ruas, empurrando um carrinho de mão no qual deposita ossadas recolhidas do chão. Realiza este ritual macabro como se encarnasse um emissário da morte. O vídeo foi gravado em Jurunas, um dos bairros de maior índice de criminalidade em Belém, no Pará. O contraste entre a performance de Berna e a rotina dos moradores cria um interessante jogo de significações em que a fronteira entre o absurdo e a normalidade, o real e o imaginado, se torna algo imponderável.

  1. Cinema (2009), de Eder Santos

Ao transformar aspectos prosaicos do cotidiano em fenômenos poéticos, a obra explora o tempo próprio de uma série de objetos e de situações registrados no interior de Minas Gerais. O artista, em grande parte de suas obras em vídeo, busca uma sensorialidade audiovisual irresistível, marcada por um frenesi de imagens que se articulam ao ritmo de uma trilha sonora.

  1. Amoahiki – Árvores do Canto Xamânico (2008), de Gisela Motta e Leandro Lima

Realizado a partir de uma visita à aldeia ianomâmi watoriki, em roraima, o vídeo apresenta uma visão onírica sobre a floresta e seus habitantes. À imagem da floresta, verde e densa, sobrepõe-se de maneira quase imperceptível a figura dos habitantes da floresta, em danças e rituais xamânicos. Amoahiki significa árvore que emite cantos. O vídeo é uma interpretação holística da natureza vista ao mesmo tempo como terra-floresta e visualidade, poética e acústica.

 

  1. Mar (2008), de Letícia Ramos

A caixa de madeira, como um farol que emite luz, projeta imagens do mar. O processo de criação da artista passa pelo desenvolvimento técnico-científico de produção de imagens e por dispositivos de projeção que ampliam e recriam a experiência de ver essas imagens. Sua obra é como uma metáfora poética da importância que o cinema adquiriu em nossa cultura. Os vídeos, as esculturas e os dispositivos de gravação e filmagem da artista são como uma evidência concreta do que ainda há de sublime na experiência de produzir e visualizar uma imagem em movimento.

  1. Homenagem a Steinberg – Variações Sobre um Tema de Steinberg: As Máscaras Nº 1 (1975), de Nelson Leirner

Com ironia e nonsense, o artista faz uma crítica aos costumes da sociedade de consumo. Fazendo referência aos hábitos da classe média brasileira, pessoas realizam atividades cotidianas usando máscaras pintadas em sacos de papel pardo – semelhantes às criadas pelo artista plástico saul steinberg nas décadas de 1950 e 1960.

 

  1. Registros (Meu Cérebro Desenha Assim) (1979), de Paulo Bruscky

Esta videoperformance é uma das experiências realizadas pelo artista utilizando uma máquina de eletroencefalograma para captar os efeitos psíquicos de seu estado emocional. A estranheza do fenômeno e a trilha sonora abstrata conferem ao vídeo um tom surrealista e de ficção científica.

 

  1. Xeroperformance (xerofilme), (1980), de Paulo Bruscky

Animação de uma série de fotocópias feitas pelo artista, que capturou por meio de uma máquina Xerox as feições alteradas do próprio rosto. Bruscky utiliza de forma criativa e irônica o recurso da tecnologia, subvertendo a lógica da representação naturalista e da verossimilhança entre a imagem e o real.

 

  1. After a deep sleep (getting out), (1985), de Rafael França

Objetos do cotidiano assumem significância psicológica quando a personagem expressa opressão em relação ao ambiente doméstico. Neste trabalho, o artista explora aspectos da narrativa, experimentando desconstruir o tempo da representação naturalista por meio de um exercício de edição e corte descontínuo. Uma obra que demonstra o rigor formal da sua linguagem e a busca do artista por um modo de operação do código da imagem, algo muito próprio e peculiar do seu trabalho, numa época em que o desenvolvimento da tecnologia do vídeo implicava certamente constantes reinvenções da linguagem.

 

  1. A arte de Desenhar (1980), de Regina Silveira

O vídeo mostra uma espécie de jogo no qual mãos tentam imitar as formas e os gestos de sombras ou silhuetas de outras mãos. As imitações bem-sucedidas recebem salvas de palmas. A partir de uma proposição conceitual, a artista elabora um vídeo metalinguístico em que o ato performático de mover as mãos ocorre a partir do próprio dispositivo de elaboração do gesto criativo. Uma espécie de manual poético de composição da forma e do significado.

  1. Sunday (2010), de Rivane Neuenschwander e Sergio Neuenschwander

A cena é prosaica: a área de serviço de uma residência, uma gaiola, o papagaio, um rádio de pilha e a locução de uma partida de futebol. Imagem que nos remete ao ambiente doméstico e familiar de um domingo tipicamente brasileiro. Mas, estranhamente, ao comer sementes grafadas com os sinais ortográficos da língua portuguesa, inusitadas interferências acontecem na narração radiofônica.

  1. Triunfo Hermético (1972), de Rubens Gerchman

Síntese do pensamento do diretor, o vídeo tem como referência as grandes esculturas de palavras que Gerchman começou a construir em 1971. Relacionando esses signos verbais com a natureza e os elementos primários (terra, fogo, água e ar), o artista cria, por meio da linguagem do cinema e recursos de animação, alteração da velocidade e narrativa não linear, um poema visual em movimento.

  1. Planeta Fóssil (2009), de Thiago Rocha Pitta

O trabalho cria um ambiente no qual a água, o fogo e a terra se encontram em plena mutação. Interessado nas formas de representação da natureza e nas metáforas criadas a partir da relação entre o real e a linguagem, o artista recria, pelo enquadramento e de planos detalhes, a narrativa própria aos documentários científicos tão comuns nos canais de televisão.

SERVIÇO

Filmes e Vídeos de Artistas na Coleção Itaú Cultural

Coquetel de abertura: 18 de fevereiro (sábado), das 16h às 19h30

Visita guiada com o curador Roberto Moreira S. Cruz às 17h30

Visitação: 21 de fevereiro a 29 de abril de 2017

Terça-feira a sábado, das 14h às 18h

Classificação indicativa: livre

Entrada gratuita

IFF – Instituto Figueiredo Ferraz

Rua Maestro Ignácio Stabile, 200
Alto da Boa Vista – Ribeirão Preto, SP
Tel.: 16 3623-2257/ 2261/ 2262
www.institutofigueiredoferraz.com.br

 

Itaú Cultural

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