Valerio Oliveira: Adorável Insaciável

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Charlton Heston como Moisés no filme “Os Dez Mandamentos” (1956)

ADORÁVEL INSACIÁVEL

Criatura sem limites é o escritor
Se escreve um livro, quer muito que um editor publique
Se o livro é publicado, quer muito que os leitores esgotem edições e mais edições
Se os leitores esgotam edições e mais edições, quer muito que REALMENTE leiam o livro
Se os leitores REALMENTE leem o livro, quer muito que comentem
Se comentam, quer muito que resenhem
Se resenham, quer muito que escrevam um longo ensaio
Se escrevem um longo ensaio, quer muito que escrevam uma tese de doutorado
Se escrevem uma tese de doutorado, quer muito que adaptem o livro para o teatro, o cinema e a tevê
Se fazem isso, ainda não é o suficiente
O escritor quer muito que inaugurem uma nova escola literária baseada em seu livro
Depois, se possível, uma religião
Mas nem assim o escritor está totalmente satisfeito
A transcendência, ah, é preciso que ocorra a sublime transcendência cósmica, a paz uterina
Resumindo:
1. Comprem o livro
2. Leiam
3. Comentem
4. Resenhem
5. Escrevam um longo ensaio
6. Escrevam uma tese de doutorado
7. Adaptem para o teatro, o cinema e a tevê
8. Inaugurem uma nova escola literária
9. Fundem uma nova religião
10. Provoquem a transcendência uterina

Valerio Oliveira nasceu no dia 21 de junho (solstício de inverno) de 1958, em Xanadu, capital de Grande Garabagne. Durante toda a infância morou a cem metros do fabuloso palácio de verão de Kubla Khan. É poeta e vagabundo globalizado. Já viveu no subúrbio de Los Angeles, Buenos Aires, Praga, Madri, Milão, Lisboa, Cairo, Luanda, Cidade do Cabo, Nova Délhi e de outras dez capitais do Oriente. Gosta de orquídeas, Modigliani e Itamar Assumpção, de verdades noturnas e falsidades diurnas. Jamais foi passivo ou ativo, costuma ser apenas contemplativo. Ama a espiral congelada da fumaça do cachimbo. Não acredita em realismos ou surrealismos, somente no real e nas suas valiosas expansões. Não coleciona essências nem aparências naturais, prefere as artificiais. Só acredita em biografias imaginárias. E no poder transcendente do verso livre. Principais livros: O ser humano na era de sua reprodutibilidade tática (Patuá, 2016), Todos os presidentes (Hedra, 2008) e Teto no piso (edição do autor, 2006).

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