Plínio Camillo: Uma vida não questionada não merece ser vivida

 

Luiz Gama

A fé não tem olho.” Jesuíno ouviu pela primeira vez quando viu a mãe grávida do padrinho. Quis chorar, gritar e fugir. Com chás e conversas acalmou e ficou esperando a Rosa nascer. E nasceu! Uma bugrinha linda com os lábios da mãe, as mãos do padrinho e as orelhas iguais a dele

“A justiça engrandece a nação, mas o pecado é uma vergonha para qualquer povo.” Quando o padrinho, na cidade lhe mostrou escravos adultos apanhando de crianças brancas. Depois o padrinho parou a surra, xingou os moleques e confortou os surrados

A paz vem de dentro de você mesmo. Não a procure à sua volta.” Quando o padrinho falava para outro pescador depois que descobriram que queriam desviar o rio.

“A retidão será a faixa de seu peito, e a fidelidade o seu cinturão.” Depois do castigo por ter roubado laranjas de um pomar vizinho.

Ajuda o teu semelhante a levantar a carga, mas não a levá-la.” Proposição que Jesuíno sempre levou nas suas caminhadas e resgate. Aprendeu quando não deixou o seu irmão menor, Joãozinho, a puxar um peixe que havia fisgado.

“Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, pois serão satisfeitos.” À noite depois de fumar o seu pito

É capaz quem pensa que é capaz.” Sempre quando achava que não conseguia fazer algo.

Inútil dormir que a dor não passa”. Ouviu entre lágrimas, quando o seu padrinho pescador contou que o irmãozinho querido morreu afogado. Jesuíno havia o deixado ele nadar sozinho!

Nhen-nhen-nhen” quando o padrinho não queria mais falar.

Os pescadores sabem que o rio pode ser perigoso e a chuva é terrível, mas este conhecimento não impede de ir.” Todos os dias antes de sair para pescar. O coração de Jesuíno só aliviava quando o padrinho voltava com muito dourados, mandis, bagres, lambaris, curimbatás e piaus

Seja forte e corajoso! Não se apavore nem desanime, pois o Senhor, o seu Deus, estará com você por onde você andar.” Consolando Jesuíno e seus outros filhos depois da morte da mãe

Quem espera, sempre cansa” dizia rindo para ver se a molecada estava prestando mesmo a atenção.

Rio passado, o santo já não lembrado.” Quando a Dona Maria Rosa chegou para cuidar da casa do padrinho, do Jesuíno e das seis crianças, seriam sete se Joãozinho não tivesse virado peixe.

Sua tarefa é descobrir o seu trabalho e, então, com todo o coração, dedicar-se a ele.” Quando Jesuíno pediu para ser abençoado, iria sair de casa. Ver o mundo. Descobrir o que era a vida fora do rio. Soltou escravos, levou para longe. Lamentou a morte do amigo Luiz Gama, carregando o seu caixão.

Vento que venta cá, venta lá.” Depois da surra de vara que deu em Agenor, marido da Rosa, pois ele havia espancado a esposa.

Uma vida não questionada não merece ser vivida” quando Jesuíno, fugido de Campinas, pois tinha libertado um escravo que apanhava muito e se escondia nas barras da calça do padrinho.

“… você é meu primogênito, minha força, o primeiro sinal do meu vigor, superior em honra, superior em poder.” Um pouco antes de morrer, agonizou por três dias: foi picado na faca e na traição pelo finado Agenor, morto depois pelo Tadeu, irmão por parte de mãe de Jesuíno.

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