Record lança livro sobre campo de concentração feminino nazista em Berlim

Ravensbrück foi criado originalmente para prender e depois exterminar “criaturas inferiores”: marginais, ciganas, inimigas políticas, resistentes estrangeiras, doentes, deficientes e as mulheres “loucas”

Era uma manhã ensolarada de maio de 1939 quando oitocentas mulheres – donas de casa, médicas, cantoras de ópera, políticas, prostitutas – foram postas em marcha pelas florestas, a 80 quilômetros ao norte de Berlim, passando por um lago brilhante e ao longo de gigantescas grades. Chicoteando e chutando-as estavam inúmeras guardas alemãs.

A destinação era Ravensbrück, um campo de concentração especificamente feminino concebido por Heinrich Himmler, arquiteto primário do genocídio nazista. No fim da guerra, 130 mil mulheres de mais de vinte países europeus foram prisioneiras lá; entre os nomes proeminentes, estavam a sobrinha do general De Gaulle, Geneviève, e Gemma La Guardia Gluck, irmã do prefeito de Nova York durante a guerra.

Poucas destas mulheres eram judias. Ravensbrück originalmente era um local para os nazistas exterminarem as “criaturas inferiores” – marginais, ciganas, inimigas políticas, resistentes estrangeiras, doentes, deficientes e as “loucas”. Por mais de seis anos, as prisioneiras foram submetidas a espancamentos, tortura, trabalho escravo, fome, experimentos médicos e execuções aleatórias. Nos meses finais da guerra, Ravensbrück tornou-se um campo de extermínio; em 1945, entre 30 e 50 mil pessoas tinham sido assassinadas lá.

Por décadas, a história de Ravensbrück ficou escondida por trás da cortina de ferro, e até hoje é pouco conhecida. Usando testemunhos desenterrados desde o fim da Guerra Fria e entrevistas com sobreviventes que nunca antes haviam falado, Sarah Helm foi ao coração do campo, demonstrando, com minuciosos detalhes, o quão fácil e rapidamente o terror evoluiu.

Bem mais que um catálogo de horrores, porém, este livro é um relato incrível do que um sobrevivente chamou de “heroísmo, tenacidade sobre-humana e excepcional força de vontade de sobreviver”. Inspirador, arrepiante e profundamente comovedor, Ravensbrück é um trabalho revolucionário de investigação histórica. Com rara clareza, lembra-nos da capacidade do ser humano tanto para a crueldade bestial quanto para a coragem e resistência contra todas as possibilidades.

SOBRE A AUTORA

Sarah Helm é escritora e jornalista. Trabalhou no Saturday Times, como correspondente estrangeira do jornal Independent e hoje escreve para diversas publicações. É autora de A Life in Secrets: The Story of Vera Atkins e The Lost Agents of SOE e da peça Loyalty, sobre a Guerra do Iraque de 2003. Vive em Londres com o marido e duas filhas.

TRECHO

 

“Ravensbrück foi o único campo de concentração nazista construído para mulheres. O seu nome deriva de uma pequena aldeia, e o campo está localizado a cerca de 80 quilômetros ao norte de Berlim. As mulheres que chegavam à noite às vezes pensavam que estavam perto da costa ao sentir o sal no vento; também sentiam a areia sob os pés. Ao amanhecer entendiam que o campo ficava à beira de um lago e estava cercado por uma floresta. Himmler gostava que os seus campos se situassem em áreas de beleza natural, preferentemente ocultos. Hoje, o campo permanece escondido; em grande medida, os crimes hediondos que lá foram cometidos e a coragem das suas vítimas são desconhecidos.

Os nazistas também cometeram atrocidades contra as mulheres em diversos outros lugares: mais da metade dos judeus mortos nos campos da morte eram mulheres, e no fim da guerra havia mulheres em diversos outros campos. Mas assim como Auschwitz foi a capital do crime contra os judeus, Ravensbrück foi a capital dos crimes contra as mulheres. No fundo da nossa memória coletiva, na literatura de cada período e de cada país, as atrocidades contra as mulheres sempre causaram horror. Ao tratar os horrores cometidos em Ravensbrück como marginais, a história comete outro crime contra as mulheres de Ravensbrück, e contra o sexo feminino.”

RAVENSBRÜCK
Sarah Helm
Páginas: 924
Preço: R$ 109,90
Tradução: Cristina Cavalcanti
Editora: Record / Grupo Editorial Record

 

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