Relembre a trajetória literária de João Gilberto Noll

Aqui ninguém me vê. E eu posso enfim me deitar na terra. Aproveitar a terra que virou lama depois do temporal. Algo se choca com o meu ombro. Levanto a cabeça, me viro de barriga para cima. Ao meu lado, uma bola de futebol. Logo ali, um garoto – sim, o dono da bola.

Começo do romance “Harmada”, de João Gilberto Noll. Um dia triste para a literatura, o escritor gaúcho morreu em Porto Alegre na noite de terça-feira (28). A informação foi confirmada pelo irmão dele, Luiz Noll. O velório ocorre nesta quarta-feira (29) na Capela 9 do Cemitério João XXIII, na capital de Rio Grande do Sul.

Um dos maiores escritores da literatura contemporânea, autor de O Cego e a Dançarina (1980), A Fúria do Corpo (1981), Harmada (1993), Mínimos Múltiplos Comuns (2003) e Solidão Continental (2012), o porto-alegrense João Gilberto Noll construiu uma obra singular e uma carreira literária memorável. Seu currículo é múltiplo e notável: formado em Letras, já foi revisor, jornalista, lecionou na Universidade de Berkley, nos Estados Unidos e no King’s College, em Londres, teve o conto “Alguma coisa urgentemente” adaptado para o cinema (sob o título de Nunca fomos tão felizes) e venceu nada menos que quatro vezes o Prêmio Jabuti.

O Livre Opinião – Ideias em Debate publica novamente a entrevista que Noll concedeu em 2014, em que contou sobre a sua carreira literária e seu trabalho na escrita.

Livre Opinião – Ideias em Debate: Suas obras são destacadas pela utilização de uma linguagem que desestrutura a narrativa do romance tradicional, por produzir um embate entre o que é ou não realidade para os personagens. Assim, com estes conflitos constantes, como é que se dá o processo criativo de suas obras?

João Gilberto Noll: Nunca tive a intenção de desestruturar a narrativa do romance tradicional. É uma questão, eu diria, de fundo neurológico: não sei contar sem esse simultaneísmo entre o que é a chamada realidade do personagem e suas várias possibilidades ideais. Acho que acontece assim com um certo tipo de artista, que faz de uma sua inadequação o seu estilo, a sua estética.

Clique aqui e leia a entrevista na íntegra

AuTores em Cena, Noll lê ‘Solidão Continental’

Em Sintonia com João Gilberto Noll

A Literatura de João Gilberto Noll – Parte 1

A literatura de João Gilberto Noll – Parte 2

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