A nova edição do AuTORES EM CENA tem foco na literatura jovem e coloca no palco escritores que fazem sucesso nas redes sociais

Em sua nona edição, sempre com curadoria do escritor Marcelino Freire, o projeto pensado para que autores encenem suas próprias criações, dirigidos por profissionais do teatro, agora leva para a cena escritores que fazem sucesso na web, demonstrando a versatilidade e as várias frentes de divulgação de uma obra: Pedro Gabriel, Clarice Freire, Rodrigo Ciríaco e a desenhista Sophia Maia

 

Nos dias 8 e 9 de abril (sábado, às 18h, e domingo, às 17h) o Itaú Cultural apresenta mais um AuTORES EM CENA e volta a inovar na programação, que, desde 2006, já colocou no palco dezenas de escritores brasileiros veteranos. Agora, são encenadas apresentações com jovens literatos em dois atos a cada dia: Pedro Gabriel, que soma mais de um milhão de seguidores desde que criou a página Eu me chamo Antônio nas redes sociais. Clarice Freire, criadora da página do Facebook Pó de Lua, também está no universo do milhão de curtidores e faz parte desta grade. Sobe ao palco, ainda, a pequena desenhista Sophia Maia, que apesar de seus 11 anos, é reconhecida pelo seu trabalho – primeiro em desenhos, depois em exposição e, em seguida em livro –, para ajudar os refugiados sírios. Rodrigo Ciríaco, autor, entre outros, do livro de contos Te Pego Lá Fora, completa o quadro de autores-atores por um dia. Todos têm direção de dramaturgos e também interpretação em Libras.

“Cada um apresenta e até conta um pouco dessa trajetória que coloca a literatura e a arte em circulação nas ruas, nas redes sociais, fora do alcance limitado das estantes e das livrarias”, observa Freire. “É a literatura que nasce de uma ideia simples, acaba transformando a realidade ao redor e, de alguma forma, renova a imagem do autor, que hoje não é só aquele que coloca a palavra ou desenho no papel, mas faz sua mensagem tocar milhares de pessoas”, completa ele.

Marcelino Freire

Os atos

No primeiro ato do primeiro dia da abertura do AuTORES EM CENA (sábado, 8, às 18h), o premiado diretor pernambucano Marcondes Lima, do Coletivo Angu de Teatro, dirige Clarice. Ela sobe ao palco para interpretar, e desenhar seus textos de Pó de Lua, acompanhada pela irmã, Sofia Freire, cantora, compositora e pianista, recentemente premiada com o prêmio Natura Musical. Em cena, elas mostram a relação da poesia e da música. Aqui, a plateia participa sugerindo temas para as duas improvisarem.

Em seguida, no segundo ato, o palco é do escritor Pedro Gabriel, no espetáculo Eu Me Chamo Antônio, título do livro que o projetou. Na peça, além de desenhar e escrever, ele mostra composições musicais próprias, acompanhado de um violoncelista. A direção do espetáculo é da atriz Brenda Ligia, que também faz uma participação especial em cena.

Lima volta a dirigir o primeiro ato da apresentação do dia seguinte (domingo, 9, às 17h). Desta vez, com Imaginário, livro da recifense Sophia Maia. Em cena, a jovem de apenas 11 anos fala sobre suas gravuras, conta um pouco de suas influências artísticas e de como surgiu a ideia de ajudar aos refugiados sírios. Para ela, como diz, esta é uma grande brincadeira em cena e promete até dançar durante o espetáculo.

O link do evento no Facebook é este: https://www.facebook.com/events/266138057161354/

Vale lembrar um pouco dessa sua história: aos nove anos de idade, ao acompanhar na internet o drama dos refugiados sírios na travessia do Mediterrâneo, ela se emocionou e ficou indignada diante do que via. Criou o Projeto Imaginário, com a linguagem mais próxima dela, o desenho. Produziu mais de 40, com temas inspirados nos refugiados e no seu universo cultural, e montou uma exposição cuja renda foi doada para o Instituto de Reintegração do Refugiado no Brasil (Adus). Em seguida, lançou o livro homônimo na Bienal Internacional do Livro de São Paulo Imaginário – A arte solidária de Sophia, cuja renda segue doando.

Encerrando a programação, no segundo ato desse dia sobem ao palco alguns dos jovens que fazem o Sarau dos Mesquiteiros. Nesta edição especial, dirigida pela atriz Naloana Lima, do grupo Clariô de Teatro, o escritor e professor Rodrigo Ciríaco comanda as apresentações e as leituras, ao lado de 11 adolescentes que participam do projeto. Eles interpretam textos próprios, poesias dos participantes e de escritores como Adriana Falcão, Jonas Worcman e Sérgio Vaz.

Assista as apresentações das edições anteriores

 

Os participantes

Brenda Ligia

Atriz e diretora, é formada em Comunicação Social pela Faculdade Oswaldo Cruz, cursou Ciências Sociais na University of the West Indies, em Trinidad & Tobago, Caribe, e Francês em Vevey (Suíça). Estudou no Teatro Escola Macunaíma e atuou em espetáculos de comédia, musicais, infantis e dramas. Em cinema, está nos longas Todas as Cores da Noite, de Pedro Severien, As Melhores Coisas do Mundo, de Laís Bodanzky, Sangue Azul, de Lírio Ferreira, Bruna Surfistinha, de Marcus Baldini, entre outros. Atuou nas séries de televisão A Mulher do Prefeito, da Rede Globo, Beleza S/A, do GNT, 9mm SP, da Fox, Somos Um Só, TV Cultura, África da Sorte, TV Brasil, e em comerciais e videoclipes musicais. Assina a direção, roteiro e montagem de quatro curtas-metragens: Aqui Jaz, Rabutaia, Vamos Abraçar o Sol e Paris a Gosto.

Brenda Lígia (Foto: Daniela Nader)

 

Clarice Freire

Escritora e redatora publicitária por formação, na Universidade Católica de Pernambuco e Universidade de Valladolid, na Espanha, com aprofundamento em criatividade pela Brother Escuela de Creativos, de Buenos Aires. É criadora da página Pó de Lua. Nela escreve e desenha sua poesia com pensamentos delicados, humor sutil e traço despretensioso, que combina desenho e até fragmentos de palavras. Assim conquistou mais de 1 milhão e 500 mil seguidores no Facebook e no Instagram. Uma linguagem atual, que conversa com púbicos de todas as idades.

Da internet para as páginas de um livro homônimo, lançado em 2014 pela editora Intrínseca, seu trabalho já ocupa as prateleiras das livrarias e já fez parte consecutivas vezes as listas dos livros mais vendidos do país, segundo as Revistas Veja e Istoé. Em 2016, Clarice lançou também pela Editora Intrínseca o seu segundo livro, o Pó de Lua nas Noites em Claro, com a presença da prosa rimada junto às já conhecidas poesias visuais. Sua técnica tem sido definida como visual writing.

Foto: Leo Aversa

Marcondes Lima

Professor de teatro da UFPE, artista múltiplo, tem assinado criações como encenador, cenógrafo, figurinista e maquiador para espetáculos de teatro, dança, ópera, além de direções de arte para vídeo e cinema. É integrante dos grupos:  o Mão Molenga Teatro de Bonecos  e o Coletivo Angu de Teatro. Com esse último realizou os espetáculos Angu de Sangue, Rasif e Ossos, todos a partir de obras de Marcelino Freire.

Mestre em Artes Cênicas e Professor da UFPE, desde 1992, nas disciplinas da área de elementos visuais e sonoros do espetáculo (cenografia, iluminação, figurino, maquiagem e sonoplastia), nos cursos de Licenciatura em Teatro e de Dança. Como pesquisador, tem investigado a arte dos brincantes pernambucanos. O Riso no Teatro de Bonecos como Instrumento Didático e A Arte do Brincante no Mamulengo e no Bumba-Meu-Boi” são, respectivamente, os títulos de seus trabalhos para a conclusão de Especialização e Mestrado em Artes Cênicas. É autor dos livros A Arte do Brincador (2009)  e Antônio de Almeida: Zezinho do Santa Isabel (2009). Integra dois grupos de teatro: o Mão Molenga Teatro de Bonecos (desde 1986), e o Coletivo Angu de Teatro(desde 2003). É encenador, cenógrafo, figurinista, maquiador, ator e bonequeiro, tendo ocupado tais funções em mais de cem produções para a cena pernambucana e recebido mais de trinta premiações em festivais de teatro, dança e cinema. Além de criar para teatro e dança  assina direção de arte para opera, cinema, vídeo e televisão. Também assinou direção cênica e de arte para grandes eventos, tais como: Cerimônia de Premiação da 1ª edição do Premio Marcantônio Vilaça (SESI); espetáculos de Abertura do Carnaval do Recife, nos anos 2012, 2013 e 2014 (Prefeitura do Recife) e o espetáculo cênico-musical O Baile do Menino Deus, realizado ha mais e uma década no Marco Zero da Cidade do Recife, no período natalino. Em sua produção recente, como encenador, destacam-se a ópera O Pescador e sua Alma (2015)  e os espetáculos teatrais Ossos (2016), A Mandrágora(2015), Margem Ribeira (2014), Haru – A Primavera do Aprendiz(2013) e Algodão Doce (2011).

Marcondes Lima

 

Naloana Lima

Integrante-fundadora do Grupo Clariô de Teatro, produtora do Espaço Clariô de Teatro e “cantadeira” do Grupo Musical Clarianas. Formada em Artes Cênicas e Direção Teatral desenvolve, desde 2005, como artista orientadora, projetos teatrais para jovens das periferias de São Paulo. Como atriz atuou nos espetáculos Hospital da Gente, de Marcelino Freire e Urubú Come Carniça e Vôa, de Miró da Muribeca, ambos dirigidos por Mario Pazini. Participou do longa-metragem Trabalhar Cansa, de Marco Dutra e Juliana Rojas. Atualmente está em cartaz com a peça Severina da Morte à Vida, com direção de Naruna Costa e tem estreia prevista nos longasCanecalon, de Lucas Sá e Guilherme Dacosta, A Sombra do Pai, de Gabriela Amaral Almeida e As Boas Maneiras, de Juliana Rojas e Marco Dutra.

Naloana Lima (Foto de Gunnar Vargas)

 

Pedro Antônio Gabriel Anhorn

Filho de mãe brasileira e pai suíço, nasceu em 1984, em N´Djamena, capital do Chade, África, e passou a infância entre esta cidade e Cabo Verde. Alfabetizado em francês, chegou no Brasil em 1996 sem dominar a língua portuguesa, aos 12 anos. A dificuldade na adaptação ao idioma o estimulou a prestar mais atenção na grafia e na sonoridade das palavras, transformando, como diz, o distanciamento em poesia. “Cada vez que desenho ou escrevo, tenho a sensação de pagar uma dívida com a minha língua materna. Minha arte me aproxima do que sou”, conta.

Em 2012, criou a página Eu me chamo Antônio nas redes sociais para compartilhar os seus desenhos.  Atualmente formado em publicidade pela ESPM-RJ, e autor dos livros Eu me chamo Antônio (2013); Segundo – Eu me chamo Antônio (2014); e Ilustre Poesia (2016). Todos publicados pela Editora Intrínseca.

Pedro Gabriel (Foto de Leo Aversa)

 

Rodrigo Ciríaco

Educador e escritor, autor dos livros Te pego lá fora, 100 mágoas e Vendo Pó…esia. Formado em História pela Universidade de São Paulo (USP), participa há mais de 10 anos do movimento de saraus da periferia. É idealizador do projeto Mesquiteiros, que, desde 2006, desenvolve ações de incentivo a leitura, produção escrita e difusão literária em escolas públicas de São Paulo. Foi autor convidado do Salão do Livro de Paris, em 2013 e 2015, do Festival do Livro e Literatura Infanto-Juvenil da Argélia (FELIV), em 2014, da 40º Feira Internacional do Livro de Buenos Aires, no mesmo ano, e em 2011 e 216 da Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP).

Rodrigo Ciriaco (Foto Divulgação)

 

Sofia Freire

Cantora, pianista e compositora de Recife, é um dos nomes de destaque da nova geração musical pernambucana. Aos 18 anos, lançou seu primeiro disco, Garimpo, em 2015 pelo selo Joinha Records (Vitor Araújo, Tiberio Azul, China, Mombojó) com a ajuda de um financiamento coletivo, um sucesso de público e crítica e vencedor do 7º Prêmio da Música de Pernambuco, no Garimpo. Neste trabalho, Sofia reúne poesias escritas pelo seu pai Wilson Freire, sua irmã Clarice Freire, e outros amigos poetas, musicadas ao longo de três anos, misturando música eletrônica, piano erudito e camadas de voz.

Promovendo o diálogo entre literatura e música, Sofia já passou por importantes festivais de música independente do país, como Rec Beat (Recife), Coquetel Molotov (Recife 2015, Belo Horizonte 2016), Projeto Levada (Rio de Janeiro) além de outras casas de shows do circuito independente nacional como a Casa do Mancha e Teatro da Rotina, em São Paulo. Em 2016, aos 19 anos, venceu por voto popular o prêmio Natura Musical 2017, possibilitando a produção de seu segundo disco, que reunirá novas parcerias com as poetisas Micheliny Verunshk, Piera Schnaider e Clarice Freire, buscando o fortalecimento de produções femininas por meio da música e literatura, com previsão de lançamento para 2017.

Sofia Freire

 

Sophia Maia

Ela tem 11 anos, é pernambucana e mora no Recife. Despertou cedo sua consciência social e desde muito pequena elegeu o lápis e o papel seus maiores companheiros. Desenhar é a sua grande viagem. Aos nove anos de idade, ao acompanhar na internet o drama dos refugiados sírios na travessia do Mediterrâneo, reagiu emocionada e indignada às cenas que assistia. Transformou indignação em atitude, criando o Projeto Imaginário. Inicialmente produziu mais de 40 desenhos, com temas inspirados nos refugiados e no seu universo cultural, e montou uma exposição cuja renda foi doada para o Instituto de Reintegração do Refugiado no Brasil (Adus). Em seguida, lançou o livro homônimo na Bienal Internacional do Livro de São Paulo e semeou em escolas e empresas a semente da solidariedade para com os povos refugiados no Brasil. Sua obra se debruça com profundidade sobre o drama e ao mesmo tempo carrega o frescor bem-humorado e alegre indispensáveis ao universo de qualquer criança.

O livro Imaginário – A arte solidária de Sophia contém os desenhos da exposição em páginas destacáveis e um breve histórico do projeto, no qual ela fala sobre a sua experiência neste trabalho solidário e sobre o emocionante encontro com os refugiados para entregar a verba arrecadada por meio de sua arte. O livro traz ainda desenhos no qual ela retrata seus ídolos. Malala, Frida, Amélie Poulin, Dali, Van Gogh, Raul Seixas, Beatles e Forrest Gump, estão todos lá, em traços fortes e estilo marcante, com visível influência da estética armorial e xilogravurista do nordeste e que fazem parte do imaginário de Sophia. Todos os produtos do Projeto Imaginário têm sua venda revertida em apoio à causa dos refugiados no Brasil.

Sophia Maia

 

SERVIÇO

AuTORES EM CENA

Dia 8 (sábado, 18h)

Primeiro Ato: Marcondes Lima dirige Pó de Lua, com a participação da escritora Clarice Freire. Convidada especial: a cantora e pianista Sofia Freire.

Segundo Ato: Brenda Ligia dirige Eu me Chamo Antônio, com a participação do escritor Pedro Gabriel.

Dia 9 (domingo, 17h)

Primeiro Ato: Marcondes Lima dirige Imaginário – A Arte Solidária de Sophia, com a participação da desenhista Sophia Maia, a partir do seu livro publicado em apoio às crianças refugiadas.

Segundo Ato: Naloana Lima dirige uma edição especial do Sarau Dos Mesquiteiros, com a participação de jovens estudantes e autores da periferia de São Paulo, sob o comando do escritor Rodrigo Ciríaco.

Sala Itaú Cultural (224 lugares)

Duração aproximada: 100 min por dia

Classificação indicativa: Livre

Distribuição de ingressos:

Público preferencial: duas horas antes do espetáculo

Público não preferencial: uma hora antes do espetáculo

Espetáculos com interpretação em Libras

Itaú Cultural

Avenida Paulista, 149, Estação Brigadeiro do Metrô

Fones: 11. 2168-1776/1777

Acesso para pessoas com deficiência física

Ar condicionado

Estacionamento: Entrada pela Rua Leôncio de Carvalho.

Se o visitante carimbar o tíquete na recepção do Itaú Cultural:

3 horas: R$ 7; 4 horas: R$ 9; 5 a 12 horas: R$ 12

Com manobrista e seguro, gratuito para bicicletas.

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