Leia um poema de ‘O amor é um búfalo’, novo livro de Ubirathan do Brasil

Ubirathan do Brasil ataca mais uma vez com a Bar Editora!

Ilustração de Marcelo Bonilha

O selo independente Bar Editora agora esta azucrinando a cidade de São Paulo com o projeto Literatura de Buteco, já são mais de 12 menestréis publicados entre 2016 e 2017. Dentre eles figuras da dramaturgia como Mario Bortolotto, Kleber Felix e Bruna Goulart.

O amor é um búfalo vem atropelando o interior paulista e chegando nas capitais, a capa ilustrada por Marcelo Bonilha traz a extravagante fase do poeta e ativista cultural Ubirathan do Brasil, poemas que sofrem de alquimias e xamanismos. Palavras que enforcam Chico Buarque, onde vereadores são excremento para hortas comunitárias, palavras que louvam orixás, palavras de venenos, tragédias e amor.

Ubirathan do Brasil (Foto: Bruna Borges)

 

jorrais em jorros

meu motor está parando, meu coração não jorra e nem goza
os carros da saudade estão estacionando dentro de mim
pedreiros do inferno levantam prédios cinzas em meu peito e soltam rojões
estão maltratando meus budas e fazendo cortina com meus tigres
[eu ainda tenho casa e um trator pra gradear meu pasto]
o bispo abençoou meu vinho na missa de domingo
a mulher que procuro irá casar em algum país da América do Sul
ela não jorra e nem goza
as aves de rapina comeram minhas serpentes queimadas
padeiros desgraçados mataram minhas receitas
esquizofrênicos sequestraram minhas armadilhas e arrebentaram meu amuleto
[minha braqueara verde balança
meus cavalos doces e negros dançam]
roubaram minhas joias
incendiaram meus amigos
& filhos
gastaram vinte e nove talismãs que restavam em meus bolsos
[tem uma capivara morta acampada na minha alma
urubus azucrinados rodopiando a solidão]
há um bêbado sem nexo bebendo corote na calçada de casa
um beija-flor com câncer chorando na orquídea vagabunda da mata
britadeiras quebrando todas as minhas noites pacíficas
búfalos entorpecidos amarram minhas fugas
a primavera apodreceu meus espermas aleijados

minha ex fez eu perder o cio
y deus respira quente no meu cangote
deus planeja absurdos
& cafunga em meu cangote
o coração de deus jorra longe
& agora ele goza
goza pelas laterais do meu crânio
goza no interior profundo da minha obcecada boca bandida.

 

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