‘Começa em Mar’, novo romance de Vanessa Maranha, tem lançamento para julho

Começa em Mar é o segundo romance da autora e recebeu Menção Honrosa do Prêmio Governo de Minas Gerais de Literatura 2016

unnamed (1)Partindo da ideia de que toda a história humana passa pelo mar, a escritora Vanessa Maranha lança em julho, pela Editora Penalux, o seu segundo romance, Começa em Mar, que já vem sob a chancela de Menção Honrosa no Prêmio Governo de Minas Gerais de Literatura 2016. O primeiro lançamento será realizado em Franca (SP), no dia 29 de julho.

“É a trajetória algo épica de uma mulher, filha de português e espanhola que aportam numa fictícia e gótica Róvia baiana, local que já explorei no meu livro de contos Pássara (Editora Patuá). Um livro que toca sobretudo nesse nosso tempo, cravando unhas ficcionais no momento político, apontando o desterro do migrante, planando por uma Europa idealizada por quem há muito a deixou para trás, sobre amores, sob uma ótica que mistura expressionismo a realismo fantástico, gradualmente deformando os personagens, transmudando-os, conforme as suas experiências.  A solução final para idas e vindas, mulheres tentaculares, filhos que não vêm, é uma surpresa a enfeixar e oferecer um sentido todo humano ao percurso’, diz a autora.

Maria Valéria Rezende, (Prêmio Jabuti 2015, Livro do Ano – Quarenta Dias e Premio Casa de las Américas, 2016 – Outros Cantos) na orelha desta obra diz: “Quando inicio a leitura de um romance, leitora apaixonada que sempre fui e continuo a ser, espero encontrar histórias, narrativas que me revelem outros mundos e outras faces das infinitas possibilidades do viver humano, sua grandeza e pequenez, as ilhas em que vivemos todos e o mar das surpresas para quem se atreve a desgarrar-se por rotas desconhecidas e imaginadas, e espero as delícias de uma linguagem livre, renovada e muitas vezes recuperada do tesouro de nossa língua meio enterrado sob a areia trazida pelas marés de “atualização”, uma linguagem sobretudo rica, ela também cheia de surpresas e encantamento. Tudo isso encontrei neste romance de Vanessa Maranha, que me levou à releitura tão logo cheguei à sua última praia, descobrindo mais e mais do que busco a cada viagem literária. Não hesito em convidar a leitora ou leitor que abriu este livro, premiado já antes de publicar-se, a embarcar nestas páginas em que várias histórias de vidas, cada uma única, como longas mechas de diferentes cores, vão compondo uma trança que se ata, afinal, num novo e surpreendente laço”.

Percurso

Vanessa Maranha

Vanessa Maranha é autora com prêmios, finalismos e participações na bagagem. Participou de várias antologias de contos, entre elas +30 mulheres que estão fazendo a nova literatura brasileira (Record, 2007), organizada por Luiz Ruffato. Em 2001 foi finalista ao Prêmio Guimarães Rosa da Radio France Internationale; em 2004, venceu seleção de contos da Universidade Federal de São João Del-Rei(MG). Foi selecionada para as oficinas literárias da FLIP em 2010 (Jornalismo Literário), 2012 (Crítica Literária) e 2016 (Shakespeare; promovida pelo British Council). Em 2012 venceu o Prêmio Off Flip, no ano seguinte, o Prêmio UFES de Literatura (Universidade Federal do Espírito Santo)com o livro de contos Quando não somos mais (EDUFES, 2014) e também o Prêmio Barueri de Literatura 2013/2014com Oitocentos e sete dias (Multifoco, 2012). Foi finalista ao Prêmio São Paulo de Literatura 2015 com o seu romance de estreia Contagem regressiva (Selo Off Flip, 2014). Em 2016 lançou o livro de contos Pássara, pela Editora Patuá. Começa em Mar é o segundo romance da autora e recebeu Menção Honrosa do Prêmio Governo de Minas Gerais de Literatura 2016.

Os contos de um romance – Vanessa Maranha

A minha praia literária sempre foi o conto, objeto de experimentações e pesquisas as mais diversas ao longo de cinco livros, um deles inédito. A narrativa curta, adensada, carregada de sentido, às vezes fechando-se em si mesma feito um nó borromeano, noutras, não, abrindo desbragadamente espaços, criando ausências, sempre exerceu fascínio sobre mim, como leitora e, posteriormente, autora.

As histórias nunca obedeciam eixo temático, forma nem extensão, o que me importava e ainda importa em matéria de ficção é o fôlego de entrada, a destreza em manter a suspensão/volatilidade para então, linhas soltas ou não, lembrando Cortázar, o nocaute final. Os meus contos iam do minimalismo ao barroco; da polaroide urbana à noveleta e somente depois de escritos eu conseguia separá-los em blocos, divisar-lhes a linha sobre a qual deslizavam. A arquitetura da minha escrita se constroi e se desconstroi no seu próprio correr.

Foi exatamente com este manejo que me lancei, em 2012, ao desafio de escrever um romance que mimetizasse uma voz masculina: ‘Contagem Regressiva’ (Selo OffFlip) é uma novela desmontável, criada em três tempos que se permitem ser baralhados e cujos capítulos podem ser lidos como contos autônomos, histórias que se encerram em si mesmas ou não. Um romance de contistafoi uma definição do romance que, para minha surpresa, chegou à final do Prêmio São Paulo de Literatura 2015, na categoria autor estreante com mais de 40 anos.

Prêmios e finalismos avalizam, de certa forma, o autor, acabam sendo um combustível (material e narcísico) ao inglório que é escrever ficção num mercado editorial quase todo ancorado na literatura estrangeira e best sellers sem valor literário. Com esse gás me pus a escrever, em 2015, ‘Começa em Mar’, sabendo exatamente que queria falar do feminino, dessa vez, sendo a própria voz feminina em terceira pessoa. Queria tocar na misoginia, no matriarcado, no discurso patriarcal, no ‘desfazimento’ de vidas, trazer a loucura caudalosa, onipresente em todos os meus livros; falar de um mar mítico e potente como um deus votivo, espanhas e portugais ideais, a sombra dos colonizadores. Busquei uma sintaxe mais próxima da origem lusa, então mergulhei na pesquisa de linguagem.

O resultado aí está. A romancista mais presente no liame da trama, mas, ritmicamente, a contista sempre ali, na reviravolta e no inaudito. ‘Começa em Mar’, que recebeu Menção Honrosa do Prêmio Governo de Minas Gerais de Literatura 2016, é um texto expressionista, tem cheiro de crustáceo, veludez de anêmonas, espinhos de ouriço,bordeja corais, tem uma mulher-peixe tragada pelo mar, outra que se perde nos espelhos, uma mãe que vira brisa, um pai que se apequena.Tem lirismo épico, um leve desfoque que não permite enquadre. Espero que o leitor goste dele, tanto quanto gostei de fazê-lo.

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