COMPANHIA ESTUDO DE CENA SE APRESENTA NA UNICAMP E NA COMEMORAÇÃO DE 14 ANOS DA FÁBRICA OCUPADA FLASKÔ

Nos próximos dias, a Companhia Estudo de Cena participa de dois eventos muito especiais, apresentando a peça “A Farsa da Justiça” e exibindo episódios da websérie “A Farsa: Ensaio sobre a Verdade”! No dia 08 de junho, o evento acontece na UNICAMP e haverá também uma mesa de debates com Luciana Mitkiewicz (pesquisadora e atriz fundadora da Cia Bonecas Quebradas), Grazieli Rodrigues (MTR), Diogo Noventa (Estudo de Cena) e Joel Lombardi, da Fábrica Ocupada Flaskô. Já no sábado (dia 10 de junho) o grupo participa da comemoração dos 14 anos de resistência da Fábrica Ocupada Flaskô, em um evento histórico com vários convidados especiais! Se programe e vá conhecer o trabalho desta Companhia que tem uma profunda pesquisa sobre os conflitos sociais no Brasil! 

EVENTOS PROPÕEM REFLEXÃO SOBRE ARTE E POLÍTICA COM APRESENTAÇÕES NA UNICAMP E FÁBRICA OCUPADA FLASKÔ

Conhecida por sua intensa pesquisa e militância, a Companhia Estudo de Cena participa de dois eventos nos próximos dias que tem como tema principal a reflexão sobre Arte e Política. No dia 08 de junho, em um evento especial na Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP, o grupo apresenta a peça A farsa da justiça e exibe dois episódios da websérie A Farsa: ensaio sobre a verdade, que narra a trajetória do grupo em sua pesquisa sobre o Massacre de Eldorado dos Carajás. Neste mesmo dia, o grupo promove uma mesa de debates com o tema: “A intervenção artística dentro da perspectiva da transformação social”. A roda de conversa contará com a participação de Diogo Noventa (diretor da Estudo de Cena)Luciana Mitkiewicz (pesquisadora e atriz fundadora da Cia Bonecas Quebradas), Grazieli Rodrigues (MTR) Joel Lombardi da Fábrica Ocupada Flaskô, com quem o grupo mantém uma relação próxima.

No dia 10 de junho (sábado) é a vez do grupo participar da comemoração histórica dos 14 anos da Fábrica Ocupada Flaskô, que recentemente passou 60 dias sem energia elétrica e após muitas dificuldades, conseguiu que a mesma fosse religada.

Há 14 anos quando se anunciava a falência e demissão dos funcionários, os tralhadores ocuparam Fábrica Flaskô e passaram a administrá-la. Uma história de luta, conquistas sociais e muita resistência que sempre contou com a arte como instrumento nesse combate. Isso se traduz nas diversas atividades culturais como a Mostra de Arte que acontece anualmente, cine-clube, rodas de samba, pista de skate, entre outras. A Companhia Estudo de Cena que já realizou diversas apresentações na Fábrica Flaskô, participa desta grande comemoração apresentando a peça “A Farsa da Justiça” e dois episódios da websérie “A Farsa: Ensaio sobre a Verdade”.

Além das apresentações da Estudo de Cena, o evento na Flaskô contará com uma mesa de debates com o tema: “Os 100 anos da Revolução Russa, o significado do controle operário e a luta socialista: ensinamentos, perspectivas e sua relação com os 14 anos da luta da Fábrica Ocupada Flaskô”. Os convidados para o debate serão: Serge Goulart, Secretário-Geral da Esquerda Marxista, representante do Movimento das Fábricas Ocupadas do Brasil; Jair Pinheiro, Professor de Ciência Política da UNESP (Marília); Gustavo Seferian, Doutorando em Direito pela USP, professor na Universidade Federal de Lavras, um dos organizadores do livro “Revolução Russa, Estado e Direito”, que será lançado em breve, em projeto da coleção Direito e Lutas Sociais, em parceria com a editora Dobra Editoria. Será uma oportunidade de conectar tais perspectivas, discutir a conjuntura e se somar aos esforços de impulsionar a organização da classe trabalhadora no próximo período.

Sobre a Estudo de Cena –  A Farsa da Justiça e A Farsa: Ensaio sobre a Verdade

No ano de 2005, a peça A farsa da justiça burguesa foi criada pela Brigada Nacional de Teatro do MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra) sob a coordenação de Augusto Boal, para ser apresentada na Marcha Nacional pela Reforma Agrária de 2005. Foi criado o teatro procissão onde quatro peças foram apresentadas. A quarta e última peça era A farsa da justiça burguesa. O teatro procissão ocorreu durante a Marcha Nacional pela Reforma Agrária em Brasília. A apresentação da “Farsa,” realizada por bonecos gigantes e coro, ocorreu em meio a forte repressão policial, que tentou dispersar as pessoas com uso da Cavalaria, helicópteros e a Tropa de Choque.

A montagem narra o julgamento fictício de um sobrevivente real do Massacre de Eldorado dos Carajás, Inácio Pereira, que se fingiu de morto para salvar a vida. No momento da apresentação de 2005 a Polícia Militar agiu de forma violenta, inviabilizando que a peça fosse apresentada de forma adequada. Depois da Marcha a peça não foi retomada pelo MST, devido a sua grande estrutura. Então, em 2012, a Estudo de Cena retomou e adaptou a peça rebatizando-a de A farsa da justiça, para ser apresentada nas ruas e espaços de reflexão crítica. O grupo montou o espetáculo de rua A farsa da justiça (adaptação do texto criado pela Brigada Nacional de Teatro do MST, com coordenação dramatúrgica de Sérgio de Carvalho). E agora, em 2017, além da temporada de apresentações da peça, está produzindo e lançando a websérie que fala sobre o Massacre de Eldorado dos Carajás e a trajetória do grupo com o tema, propondo uma reflexão audiovisual sobre a relação entre arte e política.

A websérie A farsa: ensaio sobre a verdade é a continuidade da pesquisa da Estudo de Cena que une experimento de linguagem com o tema da memória e violência social no Brasil. A série é composta de 21 episódios de aproximadamente 08’ cada, que está sendo lançada em ações públicas, acompanhados de apresentação teatral, e na internet via canal do Youtube e Facebook da Companhia Estudo de Cena. O lançamento dos episódios acontece em 09 cidades do estado de São Paulo.

O fato que ficou mundialmente conhecido como O Massacre de Eldorado dos Carajás, ocorreu em 1996 na estrada PA-150, no sul do estado do Pará. No dia 17 de abril daquele ano um grupo de trabalhadores sem terra interditou a estrada em ato pela reforma agrária. A polícia militar agiu com extrema violência, matando oficialmente 19 trabalhadores e deixando 71 feridos. Entre os feridos estava Inácio Pereira, que se fez de morto, foi jogado no caminhão dos corpos e se revelou vivo apenas quando chegou ao Hospital de Eldorado dos Carajás. Posteriormente 02 feridos faleceram, totalizando 21 mortos. O dia 17 de abril se tornou  a data mundial da luta pela terra.

Sete anos depois, em 2012, a Estudo de Cena retomou o projeto da peça e criou a adaptação para atores e atrizes. O espetáculo teve grande repercussão e foi encenado em diversas cidades e estados brasileiros (AC, PA, SP, RJ). Em abril de 2014 o grupo participou do Acampamento Pedagógico da Juventude do MST, montado no exato local do massacre, na curva do “S” da PA-150. Nesse período foram realizadas 05 apresentações da peça: no assentamento 17 de abril, no centro de Marabá, na cidade de Curionópolis e duas apresentações na curva do S da PA-150. As apresentações na estrada tiveram a participação de um coro de 100 jovens assentados e contou com a presença de sobreviventes do massacre, entre eles Inácio Pereira, que é representado na peça.

A viagem para o sul do Pará foi documentada por uma equipe de cinema. Nesse processo a Estudo de Cena gerou um material muito importante sobre a história da peça e sobre a peça. Na volta da viagem o grupo continuou a apresentar o espetáculo e documentar. Em junho de 2016 a Estudo de Cena foi convidada por Julian Boal (filho de Augusto Boal) e pelo Setor de Cultura do MST para apresentar a peça A farsa da justiça no Encontro Internacional de Teatro Político, que ocorreu no Festival da Utopia em Maricá/RJ. No encontro também foi apresentada uma versão da peça realizada pelo grupo Banzeiros, formado por jovens que vivem em assentamentos no sul do Pará. A montagem do Banzeiros incorpora trechos da encenação da Estudo de Cena. Esse encontro das duas versões da peça foi documentado e foram realizadas entrevistas com os participantes da montagem do MST. A adaptação da Estudo de Cena e sua apresentação em Eldorado dos Carajás reativou o projeto da peça, sendo o texto montado pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Terra em mais 03 assentamentos do Brasil e apresentado no Encontro Internacional da Via Campesina em abril de 2016. A peça ficou mundialmente conhecida como referência da relação entre arte e sociedade.

A partir desse material se concretizou a ideia de montar a série audiovisual que articula três histórias: o Massacre de Eldorado dos Carajás, a criação e trajetória da peça A farsa da justiça burguesa e a circulação e encenação da versão criada pela Estudo de Cena. A relação dessas três narrativas cria uma reflexão sobre arte e sociedade, arte e história brasileira.

Em abril de 2017 se completaram 21 anos dessa tragédia brasileira que deixou 21 mortos. Os 21 episódios da série A farsa: ensaio sobre a verdade estão sendo lançados a partir de 17 de abril de 2017; toda segunda e quinta-feira um novo episódio vai ao ar. O lançamento dos episódios ocorre também em espaços públicos, como assentamentos, universidades, ocupações e ruas de nove cidades do estado. Cada projeção vai ser acompanhada pela apresentação da peça A farsa da justiça. Para acompanhar a série se inscreva no canal do Youtube: A Farsa: ensaio sobre a verdade; para informações sobre as apresentações e sobre a web-série acompanhe o Facebbok da Companhia Estudo de Cena.

 

Estudo de Cena desenvolve ações de audiovisual desde 2005 e a partir de 2010 inicia a pesquisa com a linguagem teatral. A relação entre cena/espaço e ficção/realidade, atrelados a temas críticos contemporâneos, tem sido o principal objeto de pesquisa da Estudo de Cena na construção de seus trabalhos. O teatro que o grupo se propõe a realizar vem ao encontro de uma arte contra-hegemônica que tem seu conteúdo definido por temas que contribuem com o debate sobre as condições atuais da vida, sem reforçar a paralisia inoperante ou a lucidez negativista de parte do pensamento crítico e sim assumindo a responsabilidade do artista por tencionar o futuro.  Atualmente a Estudo de Cena se concentra no estudo sobre violência e memória social brasileira. Fazem parte dessa pesquisa as peças A farsa da justiça e Guerras Desconhecidas, e o experimento Tentativas sobre Fatzer.

A Companhia Estudo de Cena tem em seu histórico a narrativa de histórias de revoltas populares que não são lembradas pela história oficial do país, mas que pertencem ao imaginário coletivo de parte do povo brasileiro e retratam a diversidade de nossa cultura. Em um dos trabalhos anteriores, o grupo se apresentou com o que ficou conhecido como Barraca de Cena. Com uma estrutura de ferro e lona, um teatro mambembe, o grupo apresentou o espetáculo Guerras Desconhecidas em diversas feiras livres de São Paulo e realizou uma emblemática temporada no sertão nordestino, passando por cidades como Juazeiro, Canudos, Uauá, Euclides da Cunha, Alagoa Grande, Itabaiana e João Pessoa. Se apresentando em universidades, praças e feiras nordestinas típicas de diversas cidades da Bahia e da Paraíba, o grupo fez um convite à memória social, para que através dela houvesse uma reflexão sobre o nosso presente. O espetáculo Guerras Desconhecidas, criado em 2013, apresenta ao público a história de três guerras brasileiras que não aparecem na história oficial de nosso país: a Guerra do Pau de Colher, a Guerra de São Bonifácio e a Guerra do Gatilheiro. Inspirado no caderno “Guerras Desconhecidas do Brasil” escrito pelo jornalista Leonencio Nossa e publicado pelo jornal O Estado de S.Paulo em dezembro de 2010, tem como tema central conflitos sociais da história do Brasil, essas demonstrações coletivas de luta por uma vida digna e por respeito à diversidade cultural brasileira. A obra faz alusão também a escritos dos palestinos Edward Said e Mahamud Darwich, do peruano Aníbal Quijano e do poeta da Martinica, Aimé Césaire.

Conheça o trabalho da Companhia Estudo de Cena, acessando a página do facebook: https://www.facebook.com/CompanhiaEstudodeCena/

Ficha técnica

Direção e adaptação dramatúrgica: Diogo Noventa

Atrizes/Atores: Anderson Oliveira, Cau Peracio, Irací Tomiato, Juliana Liegel, Marilza Batista, Roberto Kroupa

Direção musical: Irací Tomiatto, Roberto Kroupa

Produção: Diogo Noventa, Juliana Liegel

ESTUDO DE CENA NA UNICAMP – Dia 08 de Junho – a partir de 16h, no Marco Zero – Praça Ciclo Básico – UNICAMP – Cidade Universitária Zeferino Vaz – Barão Geraldo, Campinas – SP, 13083-970.

No caso de chuva o evento acontecerá na Sala 4 – no Pavilhão de Artes Cênicas da Unicamp

Sinopse da peça – A Farsa da Justiça – Nessa comédia trágica um tribunal é montado. Na seção um sobrevivente do  Massacre de Eldorado dos Carajás, que se fingiu de morto para garantir a vida, é julgado e condenado por negar o justo heroísmo. Duração: 45 minutos.

Exibição – 2 episódios da Web série – A Farsa: ensaio sobre a verdade

Evento – 14 anos de Fábrica Ocupada Flaskô!

Endereço: Rua Marcos Dutra Pereira, n° 300, Pq. Bandeirantes, Sumaré/SP

PROGRAMAÇÃO DO DIA

Debate das 14h às 17h, na sede da fábrica, em Sumaré/SP. Estão confirmados para a mesa de debates:
Serge Goulart, Secretário-Geral da Esquerda Marxista, representante do Movimento das Fábricas Ocupadas do Brasil;
Jair Pinheiro, Professor de Ciência Política da UNESP (Marília);
Gustavo Seferian, Doutorando em Direito pela USP, professor na Universidade Federal de Lavras, um dos organizadores do livro “Revolução Russa, Estado e Direito”, que será lançado em breve, em projeto da coleção Direito e Lutas Sociais, em parceria com a editora Dobra Editoria.
Será uma oportunidade de conectar tais perspectivas, discutir a conjuntura e se somar aos esforços de impulsionar a organização da classe trabalhadora no próximo período.

Às 17h apresentação do espetáculo teatral “A FARSA DA JUSTIÇA” com a Companhia Estudo de Cena
Às 17h45 exibição de dois episódios da websérie “A FARSA: ENSAIO SOBRE A VERDADE” com a Companhia Estudo de Cena
Às 18h grande bingo solidário, para arrecadação de fundos para a luta da Flaskô!

Contato Estudo de Cena – (11) 9-9732-8972 (Anderson )

Entrada Gratuita nos dois eventos

Contato Assessoria de Imprensa: Luciana Gandelini – lucigandelini@gmail.com – 99568-8773

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