Inspirado em obra de Caio Fernando Abreu, espetáculo ‘Só…Entre Nós’ integra o Circuito TUSP de Teatro e será apresentado no Sesc São Carlos

Espetáculo acontecerá no dia 9 de junho sexta-feira, às 20h no teatro do Sesc com entrada gratuita

 

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Só…Entre Nós é uma história sobre a solidão urbana, o tempo e o amor,  envolvendo um triângulo amoroso entre um professor de música, sua mulher e seu aluno. Escrita por Franz Keppler e dirigida por Joca Andreazza, o espetáculo traz Marcia Nemer-Jentzsch, Tiago Martelli e Vitor Placca no elenco.

O texto de Keppler conduz o espectador à percepção poética do amar, mais do que tenta desvendar o amor. A peça nasceu após uma noite de inverno na casa de amigos. Regadas a vinho, as longas conversas sobre a vida tinham como fundo a Suíte Número 1 de Bach. “Na volta para casa na madrugada fria, a melancolia do clima, o medo das perdas, a lembrança dos amores que terminaram, o vazio das ausências preenchido pelas memórias. Fui dormir embalado por todas essas sensações”, explica  Franz Keppler. “Na manhã seguinte, uma vontade enorme de escrever sobre tudo isso. As palavras foram surgindo no computador e, aos poucos, ‘Só…entre nós’ foi se transformando em uma peça”, completa. O texto se inspira na obra “Estranhos Estrangeiros” de Caio Fernando Abreu, para criar personagens que mergulhados no isolamento e na solidão urbana tão comum nas grandes cidade. “Estranhos Estrangeiros” é o último romance do autor, tendo sido publicado inacabado após a morte dele. Inseridos na peças trechos do romance são citações e unem personagens que buscam realizar uma conexão com o outro.

Uma peça em que o tempo do outro existe no amor de quem o sente. O amor, aqui, é exposto como pertencimento ao amado e não àquele que o sente. Nesse jogo de aceitação poética do outro, o espetáculo oferece ao espectador a cumplicidade em descobrir o amor como soma de lados iguais, em um processo que exige desprendimento da perspectiva narcísica de ser o amor um estado egoísta de imposição de sentir.

Essa relação se aprofunda ainda mais no congelamento dos atores, desenhados pelo diretor Joca Andreazza em progressões de novos jogos de aproximação e distâncias.  A cena é estruturada em linhas de uma geometria imaginária que amplia as ausências e os silêncios ora de um, ora de outro personagem, provocando encontros que rompem a temporalidade linear previsível do tempo, para determinar na atemporalidade a sustentação de uma poética que se confirma no sentir, não mais pela ação. Foram usadas como referências para a construção da encenação as telas de Edward Hopper com suas melancólicas figuras imersas na solidão humana, e nas quais o espectador assume a figura de um voyer, olhando por um telescópio por meio de uma janela.

“A encenação procura respeitar acima de tudo autor, atores e público: o primeiro por não querer ser maior que a poesia dura e urbana do tema dos encontros e desencontros (que não obedecem a cronologia dos fatos) e sinalizam a solidão como legado das relações humanas nos grandes centros; o segundo por mostrar os atores como protagonistas da cena teatral (esquecidos pelo teatro pós-dramático, no qual apenas o encenador aparece aos olhos dos espectadores); e o terceiro pela constatação de que tudo que ultrapassa a duração da atenção que o ser humano presta à obra de arte não constitui um poema”, afirma Andreazza.

A trilha sonora é composta unicamente da Suíte n°1 para Violoncelo, de Bach, intrinsicamente ligada à ação da peça e às lembranças dos personagens e permeia também a movimentação dos atores em cena. Composta por Bach entre 1717 e 1723, essa é uma das peças mais intensas emocionalmente do repertório barroco, aproveitando-se ao máximo da profundidade emocional do violoncelo por meio de uma enorme variedade de técnicas. Em seis movimentos, a Suíte n°1 age como uma conversação musical – passagens agudas são ecoadas por reflexões tocadas em tom grave e acordes densos acompanhados por delicados floreios ornamentais. Seu movimento mais famoso, o prelúdio, é um grande exemplo da genialidade de Bach. Não há acompanhamento, mas a harmonia se constrói nota a nota como uma jornada musical na qual notas são insinuadas mais do que tocadas.

Sinopse

Uma história sobre a solidão urbana, o tempo e o amor, envolvendo um triângulo amoroso entre um professor de música, sua mulher e seu aluno. Livremente inspirado em “Estranhos Estrangeiros” de Caio Fernando Abreu.

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Ficha Técnica

Texto: Franz Keppler

Direção: Joca Andreazza

Elenco: Marcia Nemer-Jentzsch, Vitor Placca e Tiago Martelli

Iluminação: André Lemes

Preparação Corporal: Ricardo Galli

Fotos divulgação: Michel Igielka

Recomendação etária: 14 anos

Serviço

Data: Dia 9, sexta-feira.

Horário: 20h.

Ingressos: GRÁTIS. Retirada limitada a 2 ingressos por pessoa, com 1h de antecedência.

Local: Unidade São Carlos – Av. Comendador Alfredo Maffei, 700 – Jd. Gibertoni – São Carlos – SP

Mais informações pelo telefone: 3373-2333

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