Monólogo ‘Memórias da Rabeca’ apresenta histórias que fazem parte da identidade cultural brasileira

Espetáculo é fruto de pesquisa artística e histórica, realizada pela Cia. Mundu Rodá, sobre os rabequeiros que marcaram a música e a poesia no país

 

Memórias da Rabeca 9 - Foto Daniel Cunha

Memórias da Rabeca – Foto Daniel Cunha

No dia 25 de julho (terça-feira), às 20h, a Cia. Mundu Rodá apresenta no Itaú Cultural Memórias da Rabeca, com direção artística e textos de Juliana Pardo. A dramaturgia é do ator, dançarino e músico Alício Amaral, que também conduz o monólogo. O espetáculo revela as memórias guardadas por sete rabecas – instrumento considerado precursor do violino – e seus guardiões, os rabequeiros brasileiros. São colocadas em foco as dinâmicas das relações entre indivíduo e o instrumento, dando voz a fatos históricos que fazem parte da construção da identidade cultural brasileira.

A peça é fruto de intensa pesquisa artística realizada por meio do intercâmbio com rabequeiros da cultura caiçara, quilombola e indígena do litoral paulista, que marcaram a música e a poesia no Brasil, e da pesquisa de campo continuada da companhia sobre estes músicos em Pernambuco, Alagoas e Rio Grande do Norte.

Nesse contexto, Amaral dialoga, ainda, com questões emergentes, como as retiradas das comunidades caiçaras e quilombolas de suas terras para as demarcações de reservas ambientais e o reconhecimento das terras indígenas, percorrendo lembranças e sonoridades que convergem em um só tema: a identidade cultural brasileira.

As rabecas são memórias do país e, por isso, cada uma delas documenta histórias, por vezes inesperadas, de lugares quase esquecidos. Toque por toque, som por som, cada um desses instrumentos possui sua identidade sonora. Os relatos estão presentes nesta apresentação por meio de Cegos Rabequeiros, criado a partir dos registros de Toadas de Cegos de Mário de Andrade, e dos rabequeiros Cego Oliveira (1883-1977), Cego Aderaldo e Cego Sinfrônio e da Maneirinha, peça instrumental criada para a rabeca de Seu Nelson, de Alagoas, onde a potência e o timbre especial deste instrumento protagonizam a obra. Também entra nesta lista de ancestralidade o Boi da Mão de Pau, inspirado no romance tradicional do poeta e rabequeiro Fabião das Queimadas (1848-1928), ex-escravo que comprou sua liberdade e de seus familiares com dinheiro arrecadado com sua música e poesia. O romance é sobre a história de um boi que escolhe saltar de um precipício em vez de se tornar prisioneiro.

Cultura Caiçara, Fandango – Resistência e Tradição, coloca em foco a cultura caiçara paulista, os mutirões de trabalho, o Fandango (bailado e batido) e questões sócio-político-ambientais. Por sua vez, Iauaretê é inspirado no conto Meu tio Iauaretê, de Guimarães Rosa, e percorre as fronteiras entre humanidade e animalidade, revelando a ligação profunda do homem com sua natureza e outros aspectos da cultura indígena. Redemunho foi criado a partir de relatos e histórias sobre tocadores pactários em busca de habilidades musicais extra-humanas. Livremente inspirado em passagens do romance Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa. Por fim, Minha Chã traz memórias do próprio artista, Alício Amaral, do período em que residiu com sua companheira, Juliana Pardo, na Chã de Esconso, uma comunidade do interior da Mata Norte, em Pernambuco.

Cia. Mundu Rodá

Desde 2000, a Cia. Mundu Rodá vem construindo uma trajetória artística marcada pelo diálogo entre o trabalho do ator, bailarino, músico e as manifestações tradicionais, sempre em busca de uma expressão artística contemporânea capaz de revelar os traços e os fundamentos de nossa identidade cultural brasileira. Nas criações realizadas, assim como na vasta atuação formativa desenvolvida por seus fundadores, Juliana Pardo e Alicio Amaral, a Cia. busca incorporar muito mais do que as informações mais evidentes das formas populares.

Seus trabalhos procuram os fundamentos mais primordiais da corporeidade brasileira, marcada pelo encontro de povos de origens distintas, apoiada em uma cultura fundamentalmente oral na qual a pluralidade rítmica transborda um modo de viver que não estabelece limites rígidos entre brincadeira, expressão, formação, crença e arte. Buscam conexões com as mensagens deixadas pelos povos, através de gerações, e narram cenicamente histórias pouco ouvidas até agora.

 

FICHA TÉCNICA
Direção artística: Juliana Pardo.
Dramaturgia e textos: Alício Amaral e Juliana Pardo
Composição, direção musical e artista intérprete Alício Amaral.
Figurino e Cenário: Eliseu Weide.
Assistente cenotécnico: Wanderlei D.lascko.
Desenho de luz: Eduardo Albergaria.
Fotos: Daniel Cunha.
Colaboração/provocação artística: Jussara Miller, Roberta Carreri (Odin Teatret), e Luiz Fiaminghi.
Orientação/Rabequeiros tradicionais: Zé Pereira, João Firmino, Agostinho Gomes, Zé Lucas, Carlos Raymundo, Benedito Nunes, Oswaldo Curió, Luiz Paixão, Nelson da Rabeca e Damião.

SERVIÇO
Memórias da Rabeca
Dia 25 de julho de 2017 (terça-feira), às 20h
Duração: 70 minutos
Classificação indicativa: 12 anos
Interpretação em Libras

Sala Itaú Cultural (224 lugares)
Distribuição de ingressos:
Público preferencial: 2 horas antes do espetáculo (com direito a um acompanhante)
Público não preferencial: 1 hora antes do espetáculo (um ingresso por pessoa)
Estacionamento: Entrada pela Rua Leôncio de Carvalho, 108
Se o visitante carimbar o tíquete na recepção do Itaú Cultural:
3 horas: R$ 7; 4 horas: R$ 9; 5 a 12 horas: R$ 10.
Com manobrista e seguro, gratuito para bicicletas.
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