Contemplado pelo Rumos Itaú Cultura, filme de Gilvan Barreto sobre as turbulências políticas e sociais dos últimos anos é exibido pela primeira vez em São Paulo

Prelúdio da Fúria é uma expansão do projeto Orquestra Brasileira de Fotografia, selecionado pelo Rumos Itaú Cultural, programa de fomento à cultura do instituto; o documentário é composto por trabalhos de artistas visuais, fotógrafos e músicos brasileiros que abordam temas como abuso sexual, violência contra a mulher e índios, prostituição, “desaparecimento” de cidadãos – quase sempre periféricos – linchamentos, a legitimidade das instituições no Brasil pós-impedimento da presidente Dilma e o papel da arte como bússola para a resistência

 

 

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Prelúdio (Crédito: Hirosuke Kitamura)

Prelúdio da Fúria, filme fruto do projeto Orquestra Brasileira de Fotografia, contemplado pelo Rumos Itaú Cultural 2013-2014 – um dos principais programas de fomento à arte e à cultura do país –, tem exibição única no Itaú Cultural, no dia 17 de agosto. O documentário de autoria do fotógrafo Gilvan Barreto, em parceria com o músico e produtor pernambucano Pupillo, responsável pela direção musical, confronta a vivência subjetiva e estética dos processos criativos de fotógrafos, artistas visuais e músicos brasileiros. Por meio de seus trabalhos ajudam a refletir sobre o último biênio da turbulência social que o Brasil atravessa. Reúne arte, política, imagens e sons de resistência. Após a projeção será realizada uma mesa de debates sobre a produção do documentário e produções culturais em geral. Participam o diretor Gilvan Barreto, a artista Virginia Medeiros e Mariana Lacerda, na mediação.

A imagem de uma radiola é a primeira que o espectador vê. Dela, escorre sangue e o som que se ouve é a versão contemporânea de O Guarani, de Carlos Gomes. Esta é a premissa para a exposição do olhar dos artistas convidados a participar do filme. De um lado estão os trabalhos de Adelaide Ivánova (PE/Berlim), Bruno Morais – do Coletivo Pandilla (RJ) –, Hirosuke Kitamura (Japão/Bahia), João Castilho (MG), Kamikia Kisedje (MT), Leo Caobelli – do Coletivo Garapa (SP/RS) –, Lourival Cuquinha (PE/SP), integrante do Aparelhamento, e Virginia de Medeiros (BA/SP). Do outro lado, a produção conta com a interpretação criativa dos músicos Carlos Trilha (SC), Edgar Pererê (SP), Fernando Catatau (CE), Fred Zeroquatro (PE), Karina Buhr (PE/SP), Marcelo Yuka (RJ) e Marcia Castro (BA/SP).

São artistas de diversos estados, com práticas e bagagens distintas, que trabalham com suportes diferentes, porém unidos pelo olhar incisivo para as fraturas da contemporaneidade. “Mais importante do que a abrangência territorial foi a diversidade dos temas. Os artistas foram escolhidos por trabalhar com assuntos significantes e complementares e com segmentos extremamente vulneráveis e ameaçados na atualidade”, explica o diretor. “São realizadores de uma mesma geração, que contestam e criam imagens e sons de resistência, luta e esperança. Acima de tudo, há um critério político, no sentido mais amplo da palavra. ”

De acordo com Barreto, Adelaide, por exemplo, aborda a coragem de ressignificar um abuso sexual e a constatação do quanto é opaco ainda o panorama para falar da violência contra as mulheres. Virginia radiografa a gentrificação que expulsa as prostitutas de seu tradicional ponto de trabalho na revitalizada zona portuária do Rio de Janeiro. Kitamura enfoca a degradação dos bordéis na região mais devassada pela especulação imobiliária do centro de Salvador. Bruno Morais e o Coletivo Pandilla atualizam o conceito de “desaparecimento” à luz das impressionantes estatísticas de cidadãos, quase sempre periféricos, que sumiram em solo carioca.

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“Leo Caobelli e o Coletivo Garapa destrincham o hábito de linchamentos, inserindo no registro de torturas coletivas e medievais o rescaldo dos comentários de aprovação que inundam as redes sociais”, observa Barreto. Para ele, João Castilho manipula a sensação de insegurança ao propor uma emboscada na qual só se ouve o barulho de tiros. Cuquinha e o Aparelhamento questionam a legitimidade das instituições no Brasil pós-impedimento da presidente Dilma, e o papel da arte como bússola para a resistência. Kamikia fala, na sua língua materna, sobre o que é ser índio no país que persegue e humilha os seus habitantes originais.

Com o Prelúdio da Fúria, Barreto faz as seguintes indagações: quais os sons e imagens deste momento de intolerância e violência? Quais serão aqueles que melhor traduzirão o tempo de 2015-2016 no Brasil? Quais serão lembradas no futuro? Que futuro será esse? A obra tem o selo da Jaraguá Produções, empresa pernambucana fundada em 2011, e produção executiva de Carol Ferreira e Luiz Barbosa. Montagem de Fabian Remy e Natara Ney e direção de fotografia de Leo Caobelli.

Rumos Itaú Cultural

O Itaú Cultural mantém o programa Rumos desde 1997. Este que é um dos primeiros editais públicos do Brasil para a produção e a difusão de trabalhos de artistas, produtores e pesquisadores brasileiros, já ultrapassou os 52 mil projetos inscritos vindos de todos os estados do país e do exterior. Destes, foram contempladas mais de 1,3 mil propostas nas cinco regiões brasileiras, que receberam o apoio do instituto para o desenvolvimento dos projetos selecionados nas mais diversas áreas de expressão ou de pesquisa.

Os trabalhos resultantes da seleção de todas as edições foram vistos por mais de 6 milhões de pessoas em todo o país. Além disso, mais de mil emissoras de rádio e televisão parceiras divulgaram os trabalhos selecionados. Na última edição (2015-2016), as propostas inscritas foram examinadas, em uma primeira fase seletiva, por uma comissão composta por 30 avaliadores contratados pelo instituto entre as mais diversas áreas de atuação e regiões do país. Em seguida, passaram por um profundo processo de avaliação e análise por uma Comissão de Seleção multidisciplinar, formada por 22 profissionais que se inter-relacionam com a cultura brasileira, incluindo gestores da própria instituição.

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Rumos Itaú Cultural 2013-2014

Prelúdio da Fúria
De Gilvan Barreto
Dia 17 de agosto
Às 19h
Duração: 60 minutos
Debate: 30 minutos
Classificação indicativa: 12 anos
Sala Vermelha
Entrada gratuita

Estacionamento: Entrada pela Rua Leôncio de Carvalho, 108
Se o visitante carimbar o tíquete na recepção do Itaú Cultural:
3 horas: R$ 7; 4 horas: R$ 9; 5 a 12 horas: R$ 10.
Com manobrista e seguro, gratuito para bicicletas.

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