berátna :uno :lar doce lar. Por Santiago Santos

FF-#396-FB

.acordo lambendo os beiços eletriczados na água salina .arranco a máscara e pulo do tanque, tomando uma ducha preta .a roupa cola na pele, resfriando, jumpando a temperatura pra casa dos 30, que é quando os órgãos funfam na fina .na vera eu queria mesmo era noite fresca com vento do mar soprando, quemnumqué, mas isso só nos vídeodomos e pagando caro ainda

.os olhos vão se ajustando à densidade de fuligem e fumaça e passam a filtrar um mínimo pra poder andar sem esbarrar num latón de óleo de lagartixa, demora semanas pra sair o cheiro .o vaguim me aparece mas já não tenho osso pra dar pra ele há muito e aí virou um quem ataca primeiro reina no dia .ele ergue o mandibulinho biônico e acerto um chute antes que ele finque os dentín na canela, não guento + bandeidar os buracos, ele voa longe e cai num montagal de lixo

.karalhos voadores entrando numas buças lambrecadas é o que toma conta do barrio novimundo, mas é o caminho + curto pro escritório e fazeuquê, é o que tem pra hoje, as barracas socadas uma noutra que você suspeita que fritam o macarrón no óleo do pastel de urubu e te vendem como orgânico !HA orgânico

.hoje tem uma pica pulsante jorrando gozo na cara de dois brutamontes na entrada do prédio e afasto o holo e subo as escadarias preguentas, desviando de uns mendigóides caídos sob cobertores, vira e mexe um desses tá morto e começa a feder e só aí tacam fora .súbaru tá fumando um dos seus deltóirutos quando entro na sala, e não pela primeira nem segunda vez tem uma gueixa encaixada nos pés da cadeira sugando suas bolas e dedando seu toba e, claro, o paulengo mole, que súbaru faz o que faz pra conseguir a grana prum paulengo novo, a quadra inteira já dá risada, mas as gueixinhas, porra, claro que querem um graninho inda + se vier facinho

.súbaru falacas bolas dando piruetas na lingueta da gueixinha que o alvo é um borg num horizonte 34 do complexo b .claro que dou risada quando ele habla 34 porque oras todo mundo sabe que 33 é o número cabalistík que regimenteia o limite, e ele ri e diz que idiotice é essa quem te falou isso, no complexo a já tão no horizonte 70 fazhora .fico puto que já tô eu de paulengo duro vendo o esforço da gueixinha e súbaru percebe e me dá de presente antes da missão .a gente desce prum horizonte vazio no prédio e a gueixinha faz festa num saco de paulengo que funfa e fica até feliz, tadinha, ninguém merece o que passam essas pepecas

.a vida no complexo b é um maravilho só que caromonstro, o tronxo da alfândega já fica com a metade do que súbaru deu pra abrir caminho até onde mora o alvo .é longe também, longe do + maravilho limpo do complexo a, onde o bando de afortunado vive só ca brisinha de fuligem, e do resto, que pega as ondas de radiação e daí pra pior .eu + súbaru + os otros mocos dele vivemos no complexo c com muito migué, o custo de vida é altíssimo e quem não pode vai só descendo .alegria da vida é, nesse momento, dar de cara com uma carretinha lóki de cachorro-feio, que é carne de aanssaq (algum-animal-nunca-se-sabe-qual) num pãozin .ai que delícia, não guentava + grude

.pago a diária no primeiro espelunco e corro pro tanque que a roupa tá despregando e quem é maluco de guentar os 70 graus que deixam o ar pesado e o raciocínio lentitudo. mergulho na água salina e enfio a máscara .já tá valendo a viagem que aqui tem hidro, puta merda, jatinho no toba, delícia, que eu demore pakas pra achar esse felo da puta

santiago santos

Parceria Flash Fiction
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