Santiago Santos: berátna :dos :moco é profissa

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.é zika perguntar do serviço então ninguém pergunta .+ que é estranho, isso é .tóide forman, o nome do alvo, um tio bacanín inofensivo na fina, que trabalha num lab perto da usina de negromonte .já vão aí uns dias seguindo o malucón, do trabalho pro comedouro pro trabalho pra casa ca família de sete miudín e companheiro .velhote, cabeleira branca, pancinha de complexo b, que de c pra baixo ninguém esbanja gordura .pisou no calo de quem fazendo o quê, me pergunto, + pra passar o tempo que pra preocupar mesmo, ou eu taria no ganha-pãozin errado

.fico na mocoza durante a noite num chino de frente pra entrada do prédio dele .o chino até que é bom, cada vez sinto menos falta do grude do c, queria poder fazer tudoquié serviço pra cá, súbaru bancando a grã-fineza, começando pelo yakissoba de aanssaq que é maravilho .a noite é sempre importante prum moco que é quando o alvo relaxa e é quando os tronxos tão desligados + é também a hora + iluminada, os holos piscando forte e atravessando a rua e o céu, grudados nas paredes, nas barracas, nos carros, no chão .holos pakas de produtos aqui porque povín tem + grano pra torrar, então menos putaria pra encher putería

.nessa noite, depois de várias noites na santapaz, tóide desce do seu horizonte, sai do prédio cum maletón na mão e abre a porta dum carreto auto-dirigível .claro que eu não tô de lezeira e fico com dó de deixar o yaki pela metade .pego o turbiciclo enfiado na rabeira da barraca e saio atrás do carro .as ruas do complexo b são cheias e bem organizadas, que aqui é proibido motora humano. saímos dos barrios centrais do complexo e vamos proutro canto, pro longe do lab, longe do meu espelunco .o carro segue pra perto dos montagais de lixo e o fedor invade a narina cuma ardência cítrica e paramos nalgo que é difícil mesmo de achar, uma área esvaziada de luz e de gente .ele abre a porta, sai do carreto e fica parado no escuro .o carreto passa por mim na volta, eu já co turbiciclo encostado na parede duma construción abandonada

.ando reto na direción dele, que não tem outro jeito de me aproximar, e puxo o pistoleto do bolso, que abocanhou + uma boa parte do grano do súbaru .não dá pra ver nada que a luz da lua é comida pela fuligem e pela fumaça, então é uma susteza quando a onda pulma me atinge, me empurrando pra trás e fodendo a aderência da roupa refrigerada .sinto ela descolando e as bolhas inflando pelo corpo todo, o ar entrando pelos rasguetos e trazendo a quentura dos 60 graus da noite pra dentro .arranco os pedaços do tecido refrigerado ou viro assado aqui dentro e fico só de cueca .maledeto, penso, seguindo co pistoleto .tóide tá abaixado, mexendo nalgo dentro do maletón

¹.segura a onda, berátna_ele levanta os olhudos pra mim_,não atira, não atira, vamos bater um papo

²?como cê conseguiu a merda dum pulso pulma_.o suor brota dos poros e começa a escorrer e penso em como o malucón sabe meu nome.

¹.não pensa nisso, pensa em como seus órgãos vão colapsar em alguns minutos e em como cê conhece pikas daqui e precisa de mim se quiser voltar vivo pra casa .abaixa o pistoleto .eu não sou o alvo .aqui, coloca esse modulador, é o único jeito deu conversar com usted na fina

.ele tira do maletón dois arcos chipados .a narina arde puxando o mormaço sem o filtro do traje e os nubladores do capacete .o felo da puta tá certo .não vou durar .coloco o modulador na cabeça

¹.pronto, é que é o seguinte, o que vou te dizer tem que ficar embaralhado depois ou vão torrar tua cachola na xilindra.

²?xilindra

¹.calma, berátna .eu que te contratei, moco .tu vieste pra cá fazer um serviço só que o serviço é um pouco + complicado do que dava pra explicar pro súbaru pelo comu ?a xilindra é uma necessidade, copia .tu vai topar co tororó, que é outro moco, esse do complexo a, e ele precisa pranchar .tranquiliza que uma vez feito isso teu carcaço vai ser içado de lá, sem zika, é só que alguém de fora tem que fazer .lamento + tu não tem muita escolha

²!ha ?que piada é essa de pranchar outro moco na xilindra .se eu faço isso me prancham na sequência ?colé, tóide .sou panaco não

.miro o pistoleto na cabeça dele e puxo o gatilho .o cano do pistoleto implode e a explosão vem de ré, comendo até a metade do antebraço. caio esperneando, o sangue lavando o chão sujo .tóide vem cum seringo e me pica no toco e fecha o maletón

².desculpa, berátna .isso foi uma analgésica .não era pra você atirar, felo da puta .vou tirar o modulador e tu não vai lembrar de nadica disso .o gatilho é a palavra tororó, aí sim tu vai lembrar, depois que te escanearem .a gente se vê depois que tu empacotar a carga

.tóide sai andando pro negrume de volta pra vida do complexo .o sangue vaza, o osso aparecendo .sinto umas pontadas na barriga, é o pâncreas ou o fígado ou o estômago começando a zikar no calor .a sirene chega mansinha, cada vez + baixa, eu cozinhando nos bagos da terra, morrendo na escuridão ausente dos holos .a ambulância abre as portas, os enfermas abrem um cobertor refrigerado e baixam ele, quero muito sentir o friozinho do ._


Esta é a segunda aventura de berátna. Confira a primeira aqui:
– berátna :uno :lar doce lar

 

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