Santiago Santos: berátna :tri :tempo na xilindra

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.xilindra de complexo b é maravilho .taí o grude mas pelo menos vem, não tem a preocupa de achar que é fome que vai te acabar e não os presos, sempre tem um pra graduar de moco no meio .aí dias que chumbam semanas que chumbam meses e os migué de súbaru quié bom nadica pra me tirar daqui .apodrecendo gostoso

.na vera deu até pra fazer uns cúmpas, coisita rarefeita no complexo c, que se há algo é pois que há grano ou buça ou paulengo envolvido, nadica disso aqui no truco .demorei tanto tempo pra descobrir que truco é vida .truco arrefece qualquer um, zika é a aposta, que não tem lá o que vale muito .até o dia que, claro, contam errado o invído ou passam sinal trocado ou gritam flor sem flor, não sei, quiessa hora eu tava longe da brisa, sei que foi gritacero e dali a poco um preso pranchado .aí que os tronxos recolheram o corpo descendo pancudo e no mesmo dia transferiram um preso que tava noutro canto, teve lugar prele bem na minha cela .a gente logo se entendeu, hablando da vida e dos pepinos, josué, primeiro cúmpa do complexo a que tive, e cada coisa que ele conta eu num acredito, viajar pro a agora é meta de vida mesmo .se escafedeu pro b depois de dar jeito de gorar o sistema de arrecadación, esse cúmpa é sagacimonstro, até crime dele é coisa grã-fineza, mas encontraram na mocoza e enfiaram na xilindra

.josué tem uns conhecimentos lóki de+, diz que na escola aprende de tudo, oxi, escola do complexo c crianço vai só pra merenda e não é segredo .ele decide que tem que fazer maria loka, e que a gente tem que sangrar a xilindra, claro, fazeuquê, como dá .arroz, fermentón e docero n’água co cravo num garrafón, lâmpada de panquera do lado .tesourinha sem cabo na tomada pra esquentar no latón e colar o álcool no serpentino, que vira manjarzín caro e gostoso .delícia mesmo, na vera, e os presos pagam desfilando dente .aí que eu e josué tamo na fina até que certo dia um tronxo passa na frente da cela e diz pro josué ¹aí tororó, tua audiência tá chegando, moco

.tororó

.tororó quié que tá me dando

.tororó é coisa que frita os miolos, dormonstra de cabeço, abandono a fabriqueta pra esticar no colchón, ¹josué, segura as pontas aí que vou tirar um breque, ²tranki, cúmpa

.aí que acordo refundido da cachola e tororó é ingresso pra fora daqui .claro que tororó nunca ia falar tororó ou moco desavisado saca .pulo do belicho, mando um barrón e enrolo o cueco bem firme .chego em tororó zzzzzindo e passo o cueco no pescoço e estico .tororó pula, mete a mão na minha fuça, puxo pro chão mas tororó se torce e cai por cima, deslancha um dois três quatro murretos antes que eu dê pernada e faça ele se estabanar no chão e meter o braço no batente de ferro da cama e gritar co osso torto .dois murretos na boca aberta do tororó até sentir o mandibuleto quebrar e balangar e grudo de novo o cueco no pescoço e tororó me empurra, pula, chuta, caio pra trás, tororó tá lokín lokín, ouço os tronxos chegando pelo corredor, tô zikado se moco não pranchar agora, é imperativo moco pranchar, tororó avança, tomo um murreto no peito mas dou murreto no braço quebrado e tororó grita fino igual criança e dou murreto na garganta descoberta e tororó desequilibra e pego seu cabeço cas duas mãos e dou rasteiro e ele perde de vez o apoio e desço co tudo o cabeço na quina da privada e o osso do crânio estoura e ouço o seco do tampo e do nada algo crava nas costas e eletricza tudo e caio babando do lado do tororó, cúmpa de fabriqueta, único cúmpa de anos agora zikado e pranchado por culpa minha .tronxo entra na cela e ergue botinão e pimba

.na enferma costuram aqui, costuram ali e logo tô zerinho .no corredor tronxo não me leva pras celas, tronxo pega desvio, sai pelo pátio vazio, tora reto até uma das torres, entra, dois tronxos seguram outro homem que nunca vi, preso não é, e um tronxo tira da mochila um aparelhón de tela escura, e segura no rosto do homem, a tela se mexe um monte e bipa, depois ele enfia o treco na minha cara até fazer o mesmo bipo e pega um seringo que sai do aparelho e enfia no pescoço do homem e depois no meu .a gente cai no chão que arde de+, oxi, a cara esquenta e esquenta e derrete e sinto a pele escorrendo e grito e os tronxos tiram a nossa roupa, trocam, vestem de novo .quando para de arder e olho pro homem ele é eu e tá vestido de preso e os tronxos arrastam ele pras celas e eu, vestido co traje refrigerado do malucón, sou levado até a recepción e passo reto pelos sensores e vou quietinho e me jogam pra fora

.o carreto parado abre a porta e tóide forman, o borg, meu alvo, tá ali e faz o sinal preu me aprochegar e diz ¹vambora, moco, vambora pra longe dessa xilindra que tu agora tá na fina


Esta é a terceira aventura de berátna. Confira as anteriores:
– berátna :uno :lar doce lar
– berátna :dos :moco é profissa

 

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