Áudios antigos e raros de Inezita Barroso são digitalizados por projeto contemplado pelo Rumos Itaú Cultural

Além de registros feitos na casa da cantora, de entrevistas e de recitais, as gravações digitalizadas revelam a sua originalidade, guardam cópias de discos preferidos, apresentações históricas da orquestra da Rádio Nacional de São Paulo e raridades de Luiz Vieira, Zé do Norte, Nelson Ferraz e da peruana Yma Sumac; o projeto foi coordenado por Aloisio Milani

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Áudios conservados em um conjunto de 39 fitas magnéticas pertencente ao arquivo pessoal da cantora, folclorista e apresentadora de TV Inezita Barroso chegam ao público, de forma gratuita, por meio do site No Gravador de Inezita (www.inezita.com.br). A plataforma entra no ar no dia 27 de setembro, simultaneamente com a abertura da Ocupação em homenagem à cantora no Itaú Cultural. Selecionado pelo Rumos Itaú Cultural 2015-2016 – um dos principais programas de fomento à produção de arte e cultura no país –, o projeto conta com cerca de 30 horas de gravação, divididas em quase 600 faixas, com registros feitos principalmente nas décadas de 1950 e 1960. O acervo ajuda a contar não só a história das pesquisas de Inezita Barroso, mas um período marcante da própria música brasileira.

O registro mais antigo contido nas fitas é de julho de 1951 e o mais recente, de maio de 1991. O trabalho de recuperação, digitalização e catalogação do material durou seis meses e contou com a consultoria de Marta Barroso, filha da artista. A maioria dos áudios traz a voz da própria Inezita, seja em gravações informais, com ela ensaiando ou brincando com a filha criança, seja em apresentações na companhia da orquestra da Rádio Nacional de São Paulo, em 1953, em registros de recitais – a exemplo de sua participação no I Festival Sulamericano de Folclore, em 1960, no Uruguai – e em encontros históricos, como seu dueto com a cantora peruana Yma Sumac, na Rádio Record, em 1959. Alguns desses registros, o público tem acesso em um dos eixos da Ocupação Inezita Barroso, dedicado à faceta pesquisadora da cantora.

A Inezita pesquisadora de grupos folclóricos, e a professora, pois há registros das aulas de violão que a artista passou a ministrar para crianças e adolescentes, também estão em No Gravador de Inezita. A artista começou a dar aulas a fim de garantir o sustento, depois de ser demitida da Rádio e TV Record, em 1960. Um dos grandes tesouros do acervo, no entanto, é o áudio da única canção que ela assina como autora, Noite de junho, feita em parceria com o pianista e compositor Túllio Tavares.

“A vida de Inezita é múltipla e com várias moradas musicais. A mais abrangente é a do folclore brasileiro”, conta Aloisio Milani, coordenador do projeto. “Para adentrar nesse mundo por uma janela instantânea, basta ouvir as fitas de rolo que ela, com o cuidado de bibliotecária, gravou e guardou”, destaca. “Anotações e os sons das 39 fitas mais antigas de seu espólio nos levam para um mundo musical esquecido no passado. De cocos, cantigas, modas de viola, orquestras, solos, com entrevistas públicas e momentos privados. O No Gravador de Inezita é esta soleira da porta artística.” Segundo ele, a casa sonora de Inezita se mostra ainda mais por meio de seus discos preferidos, seus parceiros, seus ídolos. “Assim, se entende um pouco mais como lavrava seu repertório e lapidava sua interpretação, ou como ela buscava criar – parafraseando o título do long play que ela tanto adorava – a ‘Inezita em todos os cantos’ “, completa.

Outros artistas também se destacam nas fitas, como o cantor Nelson Ferraz e os compositores Luiz Vieira e Zé do Norte, todos em gravações inéditas. Ferraz, que geralmente é lembrado por sua atuação no Teatro Folclórico Brasileiro (TFB) e no grupo Brasiliana, aparece cantando Oração do guerreiro, de Hekel Tavares e Luiz Peixoto, em 1951. Já Luiz Vieira, ao violão, mostra para a amiga Inezita duas músicas de sua autoria: Coco do Mané, que a cantora lançaria em disco, em 1954, e História de Rosa, ainda hoje sem registro comercial. Assim como nunca foram gravadas 10 das 11 canções que o paraibano Zé do Norte apresenta para Inezita em uma gravação feita por ela.

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Gravador reativado

O acervo de Inezita Barroso possui 43 fitas magnéticas, sendo 33 de formato grande, oito de formato médio e duas fitas pequenas. Mesmo após o processo de limpeza e de recuperação, quatro delas não puderam ser aproveitadas: duas por estarem muito ressecadas devido à má conservação do material, uma por trazer conteúdo inaudível e outra por estar sem nada gravado. Sendo assim, o trabalho de digitalização e catalogação concentrou-se em um total de 39 fitas.

Outra ação do projeto foi a recuperação de um gravador AKAI GX 4000D que pertenceu à artista e encontrava-se em mau estado de conservação, apesar de uma ótima estrutura e do cabeçote preservado. Havia problemas na alimentação de energia, nos contatos das chaves de comando, no rolete de transporte de fitas e nas cabeças, muito sujas. Após passar por manutenção, o equipamento que dá nome ao projeto voltou a funcionar normalmente e é o que estará na exposição.

Equipe do projeto

ALOISIO MILANI – Coordenação: jornalista, produtor musical e pesquisador. Trabalhou na TV Cultura entre 2008 e 2015 como roteirista e produtor do Viola, Minha Viola, de Inezita Barroso, até há pouco tempo considerado o mais antigo programa brasileiro de música e a maior audiência das emissoras públicas. Participou com o diretor Nico Prado, da produção do único DVD comercial de Inezita e ainda da homenagem póstuma à cantora na Sala São Paulo com mais de 50 artistas reunidos. Integrou a curadoria colegiada da Virada Cultural 2015 da cidade de São Paulo, quando o Palco República homenageou a cantora. E hoje, com autorização da herdeira Marta Barroso, trabalha com iniciativas para a guarda e difusão do acervo da artista.

ALEXANDRE PAVAN – Pesquisa e textos: jornalista e pesquisador, autor dos livros Timoneiro – Perfil Biográfico de Hermínio Bello de Carvalho (Casa da Palavra, 2006), Populares & Eruditos – escrito em parceria com Irineu Franco Perpetuo – e Samba, a cara do Brasil (Edições Pueri Domus, 2009). Entre 2004 e 2014, foi roteirista de programas musicais da TV Cultura, entre eles Mosaicos, Cultura Livre e Imagem do Som. Foi coordenador da digitalização do Acervo Hermínio Bello de Carvalho, redator da Enciclopédia Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras, produziu o livro-CD Bateria e Contrabaixo na Música Popular Brasileira (Lumiar, 2003), dos músicos Gilberto de Syllos e Ramon Montanhaur, e coproduziu o álbum Divino Samba Meu (CPC-Umes, 2004), da cantora Dona Inah. Atualmente, em parceria com a musicista Thaís Nicodemo, trabalha na pesquisa do livro Meu piano – álbum biográfico de Ivan Lins.

LUIZ BOAL – Produção executiva: sócio da produtora Olhar Brasileiro Produções Artísticas. Entre 2004 a 2011, coordenou o Circuito Positivo, patrocinado pela Editora Positivo, realizando mais de mil sessões das peças Bonequinha de Pano e O Romance do Pavão Misterioso em centenas de cidades do Brasil e também no Japão. Em 2011 assumiu a coordenação administrativa do Instituto Augusto Boal. No ano de 2012 coordenou o projeto Oficina de Coisas e Reparos, site interativo com a participação de Hermínio Bello de Carvalho, e produziu o espetáculo Zumbi, com direção de João das Neves. Em 2014 coordenou a produção do espetáculo Crônicas de Nuestra América e o show Aracy de Almeida – A Rainha dos Parangolés, dirigido por Hermínio Bello de Carvalho, com o cantor Marcos Sacramento e o violonista Luiz Flávio Alcofra. Em 2015, produziu o espetáculo Rosa de Ouro – 50 anos, show que comemorou o cinquentenário do lendário musical que lançou nomes como Paulinho da Viola e Clementina de Jesus. No ano passado, coordenou o projeto Hermínio Bello de Carvalho: Uma Rosa Para O Poeta, outra comemoração, dessa vez ao cancioneiro, do poeta, compositor e produtor carioca. No projeto No Gravador de Inezita, participou da sua concepção e formatação e posteriormente foi um dos responsáveis pela questão relacionada aos direitos autorais junto aos artistas e herdeiros.

LUIZ RIBEIRO – Tratamento de áudio, mixagem e masterização: compositor, arranjador, violonista e produtor, Luiz Ribeiro é formado em violão e composição pela ECA-USP (Universidade de São Paulo). Trabalhou com grandes nomes da música brasileira como Dorival Caymmi, Zélia Duncan, Toninho Horta, Milton Nascimento, Ivan Lins, dentre outros. Há 15 anos é sócio fundador do Casa Aberta, um estúdio de criação musical, mixagem e produção de áudio onde desenvolve trilhas sonoras e produção musical de discos. Luiz tem larga experiência em captação, edição, tratamento de áudio, além de mixagem e masterização, tendo atuado também na recuperação do acervo sonoro de Ivan Lins e de Hermínio Bello de Carvalho. O estúdio comandado por ele é equipado com aparelhagem analógica e digital de ponta tanto para a mixagem como para o tratamento e restauração de áudio.

CACALO KFOURI – Limpeza e recuperação das fitas: Aos 68 anos, jornalista há 41, apreciador de música desde criança, tem uma discoteca com mais de 3 mil LPs e outro tanto de CDs, além de mais de 100 fitas de rolo em perfeito estado. Sua ligação com Inezita vem de longe – ela cantou músicas de autoria de seu tio-avô Marino Gouvêa. Além disso, foi sua irmã Maria Luiza Kfouri quem levou a artista para a Rádio Cultura, dando sequência à sua longa trajetória no rádio. Quanto à parte técnica, equipamentos de som sempre o atraíram. Fez Engenharia Eletrônica na FEI. Tem, hoje, um equipamento da mais alta qualidade, do qual fazem parte um gravador de rolo Akai GX280D, no qual foram testadas e reproduzidas as fitas de Inezita Barroso. Tem ferramentas profissionais para emendá-las e ajudar na limpeza e preservação. Foi responsável pela primeira audição de todas as fitas e posterior limpeza e recuperação delas. Poucas estavam audíveis sem que fossem feitas limpeza e também emendas, pois quebravam com frequência durante a audição. Muitas ganharam novas emendas, pois as que existiam foram feitas com fita durex, um material inadequado para esse tipo de suporte.

MARTA BARROSO – Consultoria de conteúdo: Formada em Serviço Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Marta é filha de Adolfo e Inezita. O período mais intenso dos primeiros anos de carreira da mãe-cantora coincide com a primeira infância de Marta. A filha possui os primeiros registros sonoros de sua vida gravados nas fitas magnéticas de rolo recuperadas pelo programa Rumos Itaú Cultural. Nas reuniões familiares gravadas, a menina Marta canta algumas músicas da mãe, como Por causa dessa cabocla (Ary Barroso/Luiz Peixoto), João Balalão (domínio público) e Lampião de Gás (Zica Bergami).

Rumos Itaú Cultural

O Itaú Cultural mantém o programa Rumos desde 1997. Este que é um dos primeiros editais públicos do Brasil para a produção e a difusão de trabalhos de artistas, produtores e pesquisadores brasileiros, já ultrapassou os 52 mil projetos inscritos vindos de todos os estados do país e do exterior. Destes, foram contempladas mais de 1,3 mil propostas nas cinco regiões brasileiras, que receberam o apoio do instituto para o desenvolvimento dos projetos selecionados nas mais diversas áreas de expressão ou de pesquisa.

Os trabalhos resultantes da seleção de todas as edições foram vistos por mais de 6 milhões de pessoas em todo o país. Além disso, mais de mil emissoras de rádio e televisão parceiras divulgaram os trabalhos selecionados.

Na edição 2017-2018, que acaba de ser lançada em 29 de agosto, os projetos inscritos serão examinados, em uma primeira fase seletiva, por uma comissão composta por 40 avaliadores contratados pelo instituto entre as mais diversas áreas de atuação e regiões do país. Em seguida, passarão por um profundo processo de avaliação e análise por uma Comissão de Seleção multidisciplinar, formada por 22 profissionais que se inter-relacionam com a cultura brasileira, incluindo gestores da própria instituição.

 

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Itaú Cultural
Avenida Paulista, 149, Estação Brigadeiro do Metrô
Fones: 11. 2168-1776/1777
Acesso para pessoas com deficiência
Ar condicionado
Estacionamento: Entrada pela Rua Leôncio de Carvalho, 108
Se o visitante carimbar o tíquete na recepção do Itaú Cultural:
3 horas: R$ 7; 4 horas: R$ 9; 5 a 12 horas: R$ 10.
Com manobrista e seguro, gratuito para bicicletas.
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