Felipe Ribeiro: Eu queimei todas as lâmpadas dos postes da sua rua esperando você acender a luz do seu quarto para me ver escrevendo poemas na sua calçada com giz branco

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Corri atrás do busão de havaianas e esqueci o sorvete derretendo fora da geladeira para ir comprar a acetona que deixei aberta esperando suas unhas mudarem de cor
Me apaixonei pela sua boca mastigando aquelas bolachas de sal, guaraná Mineiro e limpando os cantos da boca com as mangas do meu moletom listrado de vermelho e preto
Fui puto para todas as festas até te encontrar e você me ver de cara feia decidindo me perguntar se era fome ou descaso, descuido, falta de amor e beijo molhado com sabor de paçoca que paguei 50 centavos no boteco
Previ terremotos e chuvas de granizo quando vi você encolhida nas escadas do ônibus 121 chorando e as sacolas do mercado entre as pernas, e nas mãos um livro do Caio Fernando
Liguei para sua mãe bêbado e pedi carona as duas da madrugada para ela me levar no Carrefour e ir comprar um par de chinelos novos para você que sempre errava seu próprio número
Esperei você elogiar minha nova tatuagem na perna da mesma forma que achou lindo os peixes no aquário daquele restaurante francês todo iluminado
Te surpreendi saindo do emprego te vendo mais triste que qualquer moça com o cabelo molhado na chuva e as cartas de amor embrulhadas nas suas mãos encharcadas de lágrimas ou mais tristes que qualquer sacolinha de supermercado perdida no ar poderia estar
Chutei o balde de concreto só pra você rir de mim rolando no chão com meu dedão mais avermelhado que suas bochechas
Marquei uma consulta e perguntei para o médico se ele estava bem e se precisava desabafar,
Levei um atestado para casa alegando que eu me apaixonei por você e o médico passa bem logo após eu recitar os poemas que você me perguntou se eu tinha escrito tudo aquilo de porre ou pau duro
Levei seu guarda chuva sem querer lá pro meu apé e esqueci de ligar os abajures da sua casa porque iria fazer Sol
Nunca mais me deixe esquecer do cheiro gostoso do seu cabelo após o banho, da sua pele também e principalmente do seu hálito de pasta de dente do mercadinho da esquina
Lembrar da sua blusa amarela mesmo não lembrando se você tinha uma e tirar fotos dos meus pés até dar o número exato de passos para se criar coragem e ir atrás de você
Lembrar que não, não era amarela, mas laranja porque eu tinha um moletom da mesma cor e eu te chamava de Tangerine como aquela música do Led Zeppelin
Tirar fotos preto e branco de você recitando meus poemas no bar enquanto eu coloco um canuto na boca e outro no copo para esperar você beber de mim
Fechei a minha conta no banco e vendi todos os meus quadros para te ver sorrindo por ter comprado um jardim cheio de sonhos e pães franceses e um vinho paraguaio que seu pai odiaria
Terminar esse poema falando que eu amo seus joelhos se dobrando para ter impulso e chutar as caixas de papelão com todos os poemas no seu nome dentro do meu peito,
e que a felicidade é um danoninho ice fora da geladeira e acordar ao seu lado.

FELIPE RIBEIRO

 

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