Itaú Cultural divulga vencedores do Oceanos 2017 em edição que é marco na história dos prêmios literários em língua portuguesa

Em 15 anos de prêmio, é a primeira vez que uma escritora vence em primeiro lugar. Com empate na quarta colocação, o Oceanos tem, excepcionalmente, cinco ganhadores – três portugueses e dois brasileiros. A edição deste ano teve quatro escritores portugueses e seis brasileiros entre os dez finalistas, resultado nunca antes registrado neste gênero de premiação literária

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Selma Caetano (Foto de Andre Seiti)

O Itaú Cultural anuncia hoje, dia 29 de novembro (quarta-feira), os vencedores do Oceanos – Prêmio de Literatura em Língua Portuguesa, em 2017. Os livros que ganharam nesta edição foram eleitos em reunião realizada pelo Júri Final, ontem no instituto – avaliados entre 1.215 obras inscritas, com primeira edição em 2016, que resultaram em 51 semifinalistas e 10 finalistas até chegar nestes premiados.

Os jurados desta etapa são dois portugueses: a poeta Ana Mafalda Leite e o crítico literário António Guerreiro, e seis brasileiros: as ensaístas Beatriz Resende e Mirna Queiroz, a tradutora e editora Heloisa Jahn e os escritores Maria Esther Maciel, Everardo Norões e Eucanaã Ferraz. O resultado é divulgado no site hoje ao meio dia no site www.itaucultural.org.br/oceanos/2017/fnalistas.

A escritora portuguesa Ana Teresa Pereira ficou em primeiro lugar com o romance Karen, recebendo o prêmio de R$ 100 mil.  Nos 15 anos de história do prêmio, que em 2015 passou a se chamar Oceanos, esta é a primeira vez que o livro de uma escritora é eleito como primeiro entre os vencedores. Em segundo lugar, o brasileiro Silviano Santiago, autor do romance Machado, receberá prêmio de R$ 60 mil. O livro de poemas Golpe de teatro, do português Helder Moura Pereira, ficou em terceiro lugar, pelo qual terá premiação de R$ 40 mil.

Fechando a lista, o quarto lugar foi atribuído excepcionalmente a dois livros: Anunciações, da poeta portuguesa Maria Teresa Horta, e Simpatia pelo demônio, do romancista brasileiro Bernardo Carvalho, que dividirão o prêmio de R$ 30 mil. Essa dupla premiação se deveu a sucessivos empates entre as obras durante o processo de votação – o que levou a curadoria, com base no regulamento, a decidir que o mais justo seria considerar ambos o livros merecedores da quarta colocação.

“Estamos felizes em ser parceiros do Oceanos desde sua primeira edição e de ter contribuído com a gestão, governança e desenvolvimento tecnológico do prêmio, o que permitiu, por exemplo, que fosse possível abrir espaço para livros editados em língua portuguesa fora do Brasil, antigo sonho da curadora Selma Caetano”, observa Eduardo Saron, diretor do Itaú Cultural. “O resultado está ai. Temos mais livros de autores portugueses inscritos e também na final, e, por consequência, temos um verdadeiro intercâmbio da literatura em língua portuguesa aumentando a abrangência cultural e a sua repercussão no mundo”, continua ele.

“Somos incentivadores da leitura e do livro em língua portuguesa e esta premiação se soma aos 10 anos de existência do Conexões Itaú Cultural – Mapeamento Internacional da Literatura Brasileira, que este ano lançou um renovado Banco de Dados, com 340 pesquisadores, tradutores e professores de literatura brasileira em 46 países”, observa Saron. Ele informa, ainda, que esta semana a instituição assinou os contratos de apoio à tradução para o inglês de Grande Sertão: Veredas, entre Alison Entrekin, Eduardo Carvalho Tess Filho, herdeiro detentor dos direitos autorais da obra, a editora norte-americana Penguin Random House e a inglesa The Random House Group, e o Itaú Cultural. “Assim como o Conexões este é um projeto inédito na gestão cultural brasileira”, conclui.

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Ana Mafalda Leite (Foto de Andre Seiti)

Marco na premiação

Com curadoria da jornalista portuguesa Ana Sousa Dias, da gestora Selma Caetano e do jornalista Manuel da Costa Pinto, ambos brasileiros, a edição 2017 é um marco na história dos prêmios literários em língua portuguesa. Este ano, Oceanos passou a contemplar obras publicadas em todos os países lusófonos e, com isso, tornou-se um radar da produção contemporânea dos países unidos pelo idioma – proporcionando conhecimento recíproco e promovendo o intercâmbio literário e editorial. Um dos objetivos principais do prêmio é justamente estimular a publicação das obras inscritas nos diferentes países lusófonos.

Os números são expressivos: entre os 51 semifinalistas — 31 livros são de autores brasileiros, 19 de autores portugueses e 1 de autor angolano —, 49 nunca foram publicados em outro país de língua portuguesa. Os 19 livros de portugueses publicados em Portugal não haviam sido publicados no Brasil e 11 de seus autores nunca tiveram obras lançadas no país.

 

Na mão contrária das relações intercontinentais, 30 entre os 31 livros semifinalistas publicados no Brasil ainda não têm edição em Portugal, sendo que 21 dos autores brasileiros semifinalistas são inéditos no mercado literário português. Silviano Santiago, por exemplo, é vencedor em primeiro e segundo lugares de Oceanos, ou seja, em duas das três edições desta premiação, e diversas vezes premiado no Brasil, mas não tem uma só obra de ficção editada em Portugal. Tudo isso mostra como as sucessivas fases do Oceanos podem contribuir para difundir as obras dos escritores brasileiros para além das fronteiras nacionais.

 

Os Júris

O Júri Inicial do Oceanos 2017 foi composto por 50 jurados brasileiros, 10 portugueses, três angolanos e dois moçambicanos. Nessa fase, cada uma das obras inscritas foi avaliada por três jurados, sendo que a leitura dos livros de autores portugueses e africanos foi feita predominantemente por jurados de Portugal e África lusófona, enquanto os autores brasileiros foram lidos por jurados do Brasil – proporcionalidade que priorizou as avaliações por críticos das respectivas cenas literárias das obras inscritas.

O Oceanos é realizado em parceria com o Itaú Cultural, com patrocínios do Itaú Unibanco, da CPFL Energia e da República de Portugal. Para a edição de 2018, foi criada em Portugal a Associação Oceanos Expressivos da Língua Portuguesa, uma entidade sem fins lucrativos que irá receber recursos da República de Portugal. Por meio do Fundo de Fomento Cultural Português, esta associação possibilitará que os recursos sejam 100% aplicados. Oceanos ampliará, assim, a sua presença nos meios literários e editoriais lusitanos.

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Eduardo Saron (Foto de Andre Seiti)

Conheça os vencedores:

1º colocado – Karen, de Ana Teresa Pereira

A autora do livro nasceu no Funchal, Ilha da Madeira, em 1958, onde vive. Publicou a sua primeira obra em 1989, Matar a imagem, e desde então publica regularmente. Entre suas obras estão Se nos encontrarmos de novo (prêmio PEN Clube na categoria Ficção), A Neve, A Outra, O Lago (Grande Prêmio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores), A casa das sombras, As velas da noite, Neverness, As noites secretas e As longas tardes de chuva de Nova Orleãs, entre outras.

2º colocado – Machado, Silviano Santiago

O autor nasceu em 1936, em Formiga, Minas Gerais, e vive no Rio de Janeiro. É o romancista de Mil rosas roubadas, vencedor do prêmio Oceanos em 2015. Sua vasta obra inclui romances, contos, ensaios literários e culturais. Doutor em letras pela Sorbonne, começou a carreira lecionando nas melhores universidades norte-americanas. Transferiu-se posteriormente para a PUC-Rio e é, hoje, professor emérito da Universidade Federal Fluminense.

3º colocado – Golpe de teatro, de Helder Moura Pereira

O escritor nasceu em Setúbal em 1949. Poeta e professor, é tradutor de Ernest Hemingway, Jorge Luis Borges, Sylvia Plath, Charles and Mary Lamb, Sade e Guy Debord. Ingressou no Ministério da Educação em 1986, em funções técnicas na área da educação de adultos e no Estabelecimento Prisional de Lisboa. Autor de premiado trabalho poético, entre seus livros estão Pela parte que me toca, Segredos do reino animal, Mútuo consentimento, Um raio de sol, Se as coisas não fossem o que são, Em cima do acontecimento e A pensar morreu um burro e outras histórias.

4ºs colocados:

Anunciações, de Maria Teresa Horta

Maria Teresa nasceu em Lisboa em 1937. Poeta, ficcionista, jornalista e ativista dos direitos femininos, travou intenso combate pelas mulheres portuguesas. Com uma obra vasta nos campos da poesia e da ficção, marcou decisivamente as gerações de 60 e 70 em Portugal. A liberdade, a desobediência e a luta contra os estereótipos são temas presentes na obra da poetisa que chocou a sua geração e a opinião pública com uma poesia erótica e ousada, na qual se destacam Novas Cartas Portuguesas (em colaboração com Maria Velho da Costa e Isabel Barreno) e Minha Senhora de Mim, além de vários livros de ficção.

Simpatia pelo demônio, de Bernardo Carvalho

O escritor nasceu no Rio de Janeiro em 1960. Estreou com a coletânea de contos Aberração e desde então publicou mais de dez romances, traduzidos para diversos idiomas. Entre suas obras estão Nove noites (que dividiu com Pico na veia, de Dalton Trevisan, o primeiro lugar no Prêmio Portugal Telecom de 2003), Medo de Sade, Mongólia, O Sol se Põe em São Paulo (terceiro lugar no Prêmio Portugal Telecom de 2008), O Filho da Mãe e Reprodução, todos publicados em Portugal.

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Manuel da Costa Pinto (Foto de Andre Seiti)

 

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