Felipe Ribeiro: Deixa eu colocar a ponta da língua gelada no seu Sol?

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Deixa eu colocar a ponta da língua gelada no seu Sol?
Deixa, deixa que eu mordo no centro da sua barriga e esquento suas mãos nas beiradas da minha cintura,
Faz eu lamber sua voz de vento
Me prejudica a cheirar sua presença líquida e tingida no ar, rarefeito.

Passa as unhas roidas sobre minha pele de mesa de madeira e crava mensagens biométricas por sabedoria de nunca ser copiado por outros dedos.

Me leia como braile.

Dança seu balé sobre meus ombros e redija os caminhos nas pontas dos dedos, libera o peso das minhas costas e vamos cair lá de cima, livres.
Engole meu sabor mais amargo, cospe meus restos não reutilizáveis e digere minha existência cósmica tão indigesta no seu paladar.

Libre me,

Configurar mis ojos en tu imagen, fotografiar nuestros momentos que quedamos con los ojos completamente cerrados.

Inalar minha poeira circulando nos seus seguintes passos, passados, passou, caminhando na direção dos meus sons abafados na rua.

Escreve o nome das constelações na sua bochecha e morde a maçã que levo em memória, temperada com tudo que ainda sei.

Li e lê de mim a nossa literatura embriagados juntos e dispostos a me fazer residir no mundo construído sobre seus pés com vista para sua retina e região da boca avermelhada pelo beijo do frio entrando nas janelas dos teus cabelos.

Beija com rapidez meu pescoço, e deixa eu ensinar a mim mesmo sobre demorar a sair da sua casa alugada para nossos beijos nos muros,
Pixados por conseguinte da caneta estourada no meu peito cheio de papéis picados,
Anotações da sua lembrança nas minhas palavras recém nascidas e medicadas.

Me mostra que cor é apertando a pele até sair restos de você, pele, cheiro, fios do cabelo e alguns tons de batom que perambulavam pelos restos dos meus últimos corpos utilizados
No Carnaval.

Compra sementes e plantaremos pequenos animais de estimação com nomes de objetos inanimados.
Grita no vazio do meu fôlego e de risada no meu silêncio pregado no rosto.

Enquadra as reações dos nossos corpos se colidindo em um abraço temperado no beijo
Amanhecido de segunda com café amargo.
Me amarga e cospe.

Me solta rápido como um espirro, e me segura
Na sua vida como seus bolsos levando as chaves,
Nossas portas trancando as opções de quartos​
Onde nunca nos vimos dormir juntos.

Libera suor nas nossas posições planejadas em livros de kamasutra e cozinha italiana.
Te venero enquanto você me emoldura espalhando seu cabelo sobre meu ombro
Que vira nuvem pro seu rosto deitado,
Me deita no seu corpo ainda quente, me esfria no seu hálito de bala cravo e menta.
Enquanto,
Você
Deixa eu colocar a ponta da língua gelada no seu Sol?

 

FELIPE RIBEIRO

 

Livre Opinião – Ideias em Debate
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