Escritora portuguesa Patrícia Portela lança livro inédito no Flipoços

Obra traz a história do gênio Acácio Nobre, que teve a história apagada pela ditadura salazarista 

 

patrícia portela

Com o inédito “A coleção privada de Acácio Nobre”, a escritora e dramaturga portuguesa Patrícia Portela é uma das convidadas da 13ª edição do Festival Literário Internacional de Poços de Caldas, o Flipoços. No dia 29 de abril ela lançará o livro e participará da mesa “A sonoridade literária da escrita portuguesa”. A atividade é um oferecimento da editora Dublinense e do Centro Nacional de Cultura.

Esta é a primeira vez da escritora no Flipoços e ela revela que está ansiosa. “Estou muito curiosa. Os festivais literários no Brasil têm uma dimensão, uma densidade e uma dedicação à literatura como lugar de encontro e reflexão que sempre quis provar e conhecer. Não imagina como é uma honra poder estar presente com a minha ‘Coleção Privada de Acácio Nobre”, disse.

Na obra, ela trata de Acácio Nobre – artista, cientista, matemático, poliglota e visionário –  um personagem que, de acordo com Patrícia, todo mundo deveria conhecer, já que é justamente o tipo de pessoa apagada da história. “Ele é uma figura que esteve sempre muito à frente do seu tempo e não por acaso teve quase todos os seus rastros destruídos pela ditadura salazarista”, contou a autora, que levou 16 anos pesquisando sobre o personagem e depois deste período, conseguiu resgatar a história em um livro original, íntimo e fascinante.

Na obra, Patrícia Portela percorre o período em que Acácio Nobre conviveu com Fernando Pessoa, Herman Melville e até Albert Einstein. Por meio das palavras, ela construiu quebra-cabeças geométricos, projetou construções impossíveis, inventou o que pode ser considerado um precursor do videogame, planejou e lutou sozinho por uma refundação do sistema educacional português, envolveu-se nas vanguardas artística e literária. Foi, antes de tudo, um notável pensador.

E foi um tanto excêntrico, também. Não se deixava fotografar. Achava absurdo levar bagagem pessoal para onde quer que fosse viajar, mas jamais deixava de carregar consigo um gigantesco fonógrafo nada portátil. Mas como contar a história de uma personalidade tão ímpar?

O universo acaciano, neste livro, é recriado a partir de cartas, objetos e fragmentos de lembranças, imagens que reconstroem a memória e recuperam a incrível trajetória deste “Leonardo da Vinci português”.

Literatura Lusófona 


A mesa com a autora é parte também das comemorações do festival ao Dia Mundial da Língua Portuguesa – celebrado em 05 de maio. Ela conta que enxerga muito positivamente o estreitamento de laços entre os países, já que, segundo ela, cresceu com livros de autores portugueses na cabeceira.

“Há um nível pessoal de felicidade, já que cresci com a literatura brasileira na mesinha de cabeceira porque tinha muita família no Rio de Janeiro. Os meus natais e os meus verões eram sempre sinal de novas literaturas e vinis que vinham do Brasil e quase aprendi a ler e a ouvir com a música e a literatura brasileira, muito antes de ela chegar às nossas livrarias e discotecas (pelo menos alguma menos acessível). Depois, eu não escreveria se não houvesse Adélia Prado ou Clarice Lispector, as minhas mulheres de armas que sempre me acompanham para onde quer que vá viver a minha vida de nómada”, revelou.

Ainda de acordo com ela, existe também uma curiosidade mútua e literária recente, que não se via há 20 anos, em relação a conexão Brasil – Portugal. “Tal curiosidade e estreitamento só pode alargar o uso da língua, elasticizar o cérebro que pensa nela e permitir a explosão de novas formas de dizer e escrever, e isso só pode ser magnífico – venha a mútua antropofagia! Refaçamos o movimento e devoremos o seu banquete”, completou.

Para a curadora do Flipoços, Gisele Corrêa Ferreira, trazer a autora é parte de um projeto que já existe no Flipoços, que é estreitar as relações com Portugal. “Somos todos uma mesma pátria, falamos todos uma mesma língua e poder realizar este intercâmbio entre autores portugueses e o público brasileiro é um imenso prazer. Nosso evento é bastante plural e estamos muito felizes em receber a Patrícia Portela e sua obra, que é recente, mas que promete muito”, pontuou.

Patrícia Portela tem 44 anos, é autora de performances e obras literárias, vive entre Portugal e Bélgica. Estudou cenografia e figurinos em Lisboa e Utrecht, cinema em Ebeltoft, na Dinamarca, e Filosofia em Leuven, na Bélgica. Criadora de performances e instalações transdisciplinares, itinera com regularidade pela Europa e pelo mundo. Reconhecida nacional e internacionalmente pela peculiaridade da sua obra, recebeu vários prêmios e é considerada uma das artistas e autoras mais desconcertantes da sua geração. Autora de Para Cima e não para Norte (2008), de Banquete (2012) e de A Coleção Privada de Acácio Nobre (originalmente lançado em 2016 em Portugal).

O Flipoços

O Flipoços 2018 e a 13ª Feira Nacional do Livro de Poços de Caldas são realizados pela GSC Eventos Especiais e acontecem de 28 de abril a 06 de maio no Espaço Cultural da Urca. O Flipoços 2018 conta com o patrocínio do DME, BDMG Cultural, Codemge,Pólen um produto Suzano, Climepe, Fibrax, e Prefeitura de Poços de Caldas. Parceiro Cultural Sesc Minas, Instituto Camões, Editoras Sextante, Dublinense, Malê, Faro Editorial, Aletria, Leya, Trilha Educacional, Edições Sesc São Paulo. A programação oficial do Flipoços 2018 está no ar pelo site www.flipocos.com Agendamentos podem ser feitos com Maíra pelo coordenacao@gsceventos.com.br ou pelo telefone (35) 3697 1551.

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