Editora Nós lança, nesta quinta-feira, ‘Identidades’, segundo experimento ficcional de Felipe Franco Munhoz

Lançamento acontece nesta quinta-feira, na Livraria da Vila, da Fradique Coutinho

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A publicação pela Editora Nós de Mentiras (2016), primeiro romance de Felipe Franco Munhoz, já desvelava a ambição do autor, ao escrever um livro inteiramente em diálogos, com interseção plena com a obra de Philip Roth, no qual escritor e personagem eram plasmados como em algumas obras do consagrado autor norte-americano. Pouco mais de dois anos de um estilo burilado através de obsessivo trabalho, Felipe nos entrega seu novo livro, Identidades. Sabemos que o termo romance é a forma escrita heterogênea e onívora por excelência, mas talvez não seja suficiente para descrever Identidades, que é um experimento ficcional único.

Felipe Franco Munhoz nasceu em São Paulo, em 1990. É graduado em Comunicação Social pela Universidade Federal do Paraná. Em 2010, recebeu uma Bolsa Funarte de Criação Literária para escrever o romance Mentiras (Editora Nós, 2016), inspirado na obra de Philip Roth. Entre fevereiro e março de 2016, publicou – junto com Marcelino Freire e Carol Rodrigues – uma sequência de micronarrativas diárias no jornal Ponto Final, de Macau, China. É autor da peça Identidades 15 minutos, que estreou na Flup em 2017. Sua ficção já foi publicada em inglês, francês e chinês.

Como a apresentação da escritora Natália Borges Polesso aponta, uma aproximação ao livro exige uma “generosa dose de incompreensão”, que seria a fundamental epifania. Ao transcender as exigências estéticas e narrativas, Identidades é um livro em que Felipe faz a distensão das suas técnicas de metaficção, já presentes em Mentiras, em todas as direções, latitudes, idiomas e artes. A presa deste “romance” é simplesmente toda a cultura ocidental, em um esforço wagneriano de conseguir a “obra de arte total”, em que artes plásticas, literatura, música e teatro se fundem em uma entidade única. Identidades representa a velha dúvida do Fausto, “A quem me assemelho?”, transposta para o início deste milênio, época permeada pelas ardorosas discussões de gênero.

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Felipe Franco Munhoz (Divulgação)

Nesta nova leitura do Fausto, que parte das investigações anteriores deste poderoso arquétipo por Marlowe, Goethe e Mann, ele agora se aproxima de um Mefistófeles cambaio inicialmente como “(…) mulher, mas em trajes – e cortes de cabelo semimasculinos”, mas suas dúvidas vão se modificando ao longo do livro, “a respeito de seu corpo, sua sexualidade, sua identidade”.

O autor nos convida a entrar nas coxias deste poema musical, onde há equivalências de sinais gráficos a notas musicais, projeções de poemas na parede e capítulos escritos “ao contrário”. Mas a sucessão dos atos não é determinada de modo aleatório, pois é sempre circunscrita por precisas rubricas teatrais, feitas para espaços fechados como uma cama no quarto ou um leito de hospital.

O manuseio simultâneo da quantidade gargantuesca de referências poderia indicar algum apreço pela pompa. Mas esta falsa impressão é dirimida aqui e ali pelo espocar de bem-humoradas blagues modernistas (como na brincadeira com os rodapés) e resquícios do caráter lúdico e de precisão matemática dos escritores ligado ao movimento Oulipo, Georges Perec e Raymond Queneau, dentre outros. Mas como nem mesmo James Joyce escapa ao seu tempo e lugar, e já que estamos na era da globalização, temos no livro maximizações do Google Maps que percorrem milhares de quilômetros, do redemunho da Rua Augusta à Berlim.

Este Fausto contemporâneo, cuja chama nunca se consome, grava de modo tartamudo mensagens de Whatsapp. Leitores mais atentos perceberão o emprego da autoficção na presença de termos médicos, pré-operatórios e uma perna que “pendura estearina”. Pois, afinal, uma ficção é também a elaboração de uma dor através da expressão de uma alteridade. Ao final deste livro-travessia, o barqueiro Caronte estará presente para guiar tanto leitor quanto autor na viagem entre os vivos e os mortos. Mas, como somos lembrados pelo texto de apresentação de Natália Borges Polesso, uma “suposta margem não é salvação”.

evandro

Lançamento de Identidades
Autor: Felipe Franco Munhoz
Quinta-feira, 17 de maio, às 18h30
Livraria da Vila (Fradique Coutinho, 915, Vila Madalena, SP)

1a edição
Editora Nós
R$ 40,00
ISBN 978-85-69020-31-8

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