Brechas Urbanas de junho fala da dinâmica entre o rural e o urbano no Brasil

No Itaú Cultural, as visões distintas de três convidados chamam o público para refletir sobre as relações entre as zonas rurais e urbanas. Para isso, contextualizam a questão com a formação das cidades brasileiras e também abordam os desafios que esta interação coloca atualmente na vivencia de quem está tanto na cidade quanto no campo

 

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O Brechas Urbanas, na edição de junho, acontece às 20h do dia 27 (quarta-feira), no Itaú Cultural. Desta vez, o tema abordado no debate mensal, mediado pela jornalista e criadora da comunidade Cidades para Pessoas, Natalia Garcia, procura jogar luz na dinâmica entre o rural e o urbano no país. Para contemplar a temática e as complexas questões que a cercam foram chamados pelo núcleo de Comunicação do instituto, que organiza a atividade, três convidados para conduzirem a reflexão com base em diferentes pontos de vista: a sociologia, a arte e o ativismo. São eles, o sociólogo José de Souza Martins, o permacultor, educador e articulador cultural Jaison Pongiluppi Lara e o artista visual e paisagista Fernando Limberger.

A temática escolhida foi inicialmente provocada pela Ocupação Antonio Candido, exposição sobre o crítico literário e professor que lhe dá nome, aberta no instituto até o dia 12 de agosto. Durante as pesquisas realizadas pelas equipes do instituto para compor esta mostra, uma entrevista de Candido pontuando como entendia o que chamava de o verdadeiro caminho da história do país, lhes chamou a atenção. “Na longa história da pseudodemocracia brasileira, os fazendeiros, banqueiros e industriais já falaram muito. A classe média e o trabalhador urbano já disseram algumas palavras. O trabalhador do campo é a grande voz muda da história brasileira”, disse ele na entrevista que pode ser vista completa no link: https://www.youtube.com/watch?v=I_3flaRAkrg .

No debate no Itaú Cultural, Souza Martins, também membro da Academia Paulista, contextualiza a formação das cidades brasileiras, que se urbanizaram rapidamente e sem planejamento, criando problemas diversificados que se desdobram até a atualidade. Pongiluppi também dá a sua contribuição ao colocar sua experiência na Casa Ecoativa. Neste espaço, localizado na Ilha do Boré, na região do Grajaú, extremo sul de São Paulo, são realizadas atividades, como a bioconstrução, saneamento ecológico, horta e agrofloresta. Ativista, ele une a experiência rural à urbana, criando uma interdependência entre os dois ambientes. Por sua vez, Limberger coloca a cidade e a natureza em diálogo por meio da arte. Um exemplo de seu trabalho, Contenção Verde, apresentado na Pinacoteca de São Paulo em 2016, pode ser conferido nesta matéria realizada pela revista Bravo!: https://www.youtube.com/watch?v=p_e6c6H2eQw.

Desde a primeira edição, em fevereiro de 2016, o Brechas Urbanas pontua questões de extrema atualidade na convivência nas cidades. Dessa vez, ao tratar do tema rural-urbano, inclui uma abordagem sobre os desdobramentos da greve dos caminhoneiros, que desabasteceu as cidades exacerbando a dependência urbana, não apenas do campo, mas dos complicados sistemas de abastecimento. A temática, provocada por uma questão levantada por Antonio Candido na metade do século passado, quando as populações se dividiam 31% nas cidades e 69% na zona rural, segundos dados do IBGE de 1940, se atualiza e busca elementos como a experiência recente de Jorge Menna Barreto realizada na 32ª Bienal de São Paulo. Ali, ele apresentou o projeto Restauro, com o qual questionou os hábitos alimentares das pessoas e sua relação com o ambiente, a paisagem e o clima. Dessa forma, o debate busca aproximar diversas linguagens para aprofundar este assunto que se relaciona intimamente com a vida de cada um e com o planeta.

Brechas Urbanas

O Brechas Urbanas foi criado a partir da aposta do Itaú Cultural de que é cada vez mais urgente repensar a vida nas cidades, tendo a arte como elemento transformador potente nesta reflexão.

“Essa pesquisa proporcionada pelos encontros nos move a propor inovações no mundo contemporâneo”, acredita Ana de Fátima Sousa, gerente do Núcleo de Comunicação do Itaú Cultural, que também assina a curadoria da programação.

Para Natália Garcia, do Cidades para Pessoas, que interpreta e experimenta ideias para cidades mais humanas, a ideia é fazer dos encontros um espaço para debater o que está por ser inventado e por ser criado dentro das ações na cidade. “Por isso convidamos artistas que estão envolvidos com essas criações e com essas ações na prática, fora da academia”, explica.

Brechas Urbanas tem a proposta de reunir mensalmente representantes de diversas áreas da arte e da cultura para fazer uma reflexão atual e propositiva sobre a vida na cidade. Além da transmissão ao vivo do programa, também com interpretação em Libras, o Itaú Cultural disponibiliza todos os eventos do gênero já realizados no CANAL – área do site do instituto voltada para conteúdos audiovisuais e multiplataformas – no endereço www.itaucultural.org.br/explore/canal.

 

Os participantes

 

José de Souza Martins

Sociólogo, com doutorado e livre-docência em Ciências Sociais/Sociologia pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo. Foi professor titular de sociologia e é professor emérito da mesma faculdade. Foi professor-visitante da Universidade da Flórida (EUA) e da Universidade de Lisboa. Ocupou a Cátedra Simón Bolivar da Universidade de Cambridge (Inglaterra), entre 1993 e 1994, quando foi eleito fellow de Trinity Hall. Foi membro da Junta de Curadores do Fundo Voluntário da ONU contra as Formas Contemporâneas de Escravidão. É membro da Academia Paulista de Letras e também autor de 37 livros – os mais recentes são: Moleque de Fábrica, Linchamentos – A justiça popular no Brasil e O Coração da Pauliceia ainda Bate.

 

Jaison Pongiluppi Lara

Permacultor, educador e articulador cultural, trabalha no Coletivo Imargem e na Casa Ecoativa, com projetos e coletivos que atuam no eixo arte, convivência e meio ambiente. Entusiasta do tema bairro educador, atua no projeto Adrião Escola Aberta desde 2013. Atualmente é educador popular do Curso de Desenho Permacultural da Eparreh Cooperativa e Fundação Julita. Organiza e co-cria eventos de ocupação do espaço público na cidade como Estéticas das Periferias e Sarau de Cordas.

Na Agroecologia, como consultor da Associação Biodinâmica criou a CSA (Comunidade Sustenta Agricultura) da Zona Sul. Participa do Fórum de Cultura do Grajaú e na Rede Permaperifa. Facilita encontros de imersão no extremo sul para grupos, universidades e instituições. Convidado do 1º Fórum do Amanhã em Tiradentes (MG), Festival Reverbere de Permacultura Latino América, reconhecido pelo Prêmio Brasil Criativo e NIP – Negócio de Impacto Periférico. Tem sua vida-obra de ativismo registrada no documentário Outros Tempos Jovens – Eu mudo o mundo, da HBO\Canal Max.

Fernando Limberger

Artista visual e paisagista, inicia sua pesquisa artística nos anos de 1980 e produz em diversos meios como desenho, pintura, escultura. A partir dos anos de 1990 destaca-se com instalações e intervenções, tendo a natureza como meio e assunto recorrente em seus trabalhos. A partir dos anos 2000 passa a desenvolver projetos em paisagismo para espaços públicos e privados.

Expõe individualmente nas mostras Contenção Verde e Botânica SP, na Pinacoteca SP, 2016, Desmoronamento, Azul, no CCBB RJ e Contaminação Cromática, na Praça Victor Civita, São Paulo, ambas em 2015 e Verde e Amarelo, no CCSP, em 2008. Participa das exposições coletivas 1ª e 8ª Bienal do Mercosul, em 1997 e 2011 e Ecológica, no MAM SP, 2010. Atualmente participa da exposição Amazônia: os novos viajantes, no MuBE SP. Recebe os Prêmios Espaço Urbano Espaço Arte, da Prefeitura Municipal de Porto Alegre, em 1992, Prêmio incentivo – Projeto Um Jardim para o Jardim Miriam, Brazil Foundation, em 2005, para projeto realizado no bairro Jardim Miriam, São Paulo e Prêmio CCBB Contemporâneo, 2015. Foi membro do grupo Arte Construtora que atuou nos anos 1990 nas cidades de Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro.

 

Natalia Garcia utiliza o jornalismo como ferramenta para investigar cidades. É criadora da comunidade Cidades para Pessoas, representa a embaixada brasileira da rede global de Urban Maker Pakhuis, de Zwijger, é mediadora do Brechas Urbanas (Itaú Cultural), já expôs seu trabalho no Instituto Amani, TEDx, revista Superinteressante, Instituto Goethe, SP Urbanismo, Câmara Brasileira da Indústria da Construção, Fiat, entre outros. Em todos esses trabalhos, Natália se dedica a investigar, comunicar e implementar ações práticas que melhorem a vida no planeta.

 

Brechas Urbanas – As cidades brasileiras entre o rural e o urbano

Dia 27 de junho, às 20h

Duração: 90 minutos

Classificação indicativa: Livre

Sala Itaú Cultural

220 lugares

Entrada gratuita

Distribuição de ingressos:

Público preferencial: duas horas antes do evento | com direito a um acompanhante

Público não preferencial: uma hora antes do evento | um ingresso por pessoa

Interpretação em Libras

Itaú Cultural

Avenida Paulista, 149, Estação Brigadeiro do Metrô

Fones: 11. 2168-1777

Acesso para pessoas com deficiência física

Ar condicionado

Estacionamento: Entrada pela Rua Leôncio de Carvalho.

Se o visitante carimbar o tíquete na recepção do Itaú Cultural:

3 horas: R$ 7; 4 horas: R$ 9; 5 a 12 horas: R$ 12

Com manobrista e seguro, gratuito para bicicletas.

www.itaucultural.org.br

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libras

 

 

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