Poeta dinamarquês Niels Hav vem ao Brasil lançar seu primeiro livro traduzido para o português

No livro “A alma dança em seu berço”, Niels Hav retrata a vida com humor e lirismo

Niels Hav colour

Niels Hav

Niels Hav é um poeta dinamarquês considerado uma das mais importantes vozes da poesia nórdica contemporânea. Traduzido em mais de 10 línguas, o autor está sendo publicado no idioma português pela primeira vez num livro de poemas a ser lançado em agosto, no Brasil, pela editora Penalux.

A obra “A alma dança em seu berço” traz uma coletânea de poemas que abordam o envelhecimento e a existência com humor e serenidade. São poemas contemporâneos, numa linguagem moderna, por vezes crua, mas sempre afiada.

“O que salva o livro de ser uma abordagem ácida sobre a vida é justamente a capacidade de Niels Hav de balancear essa dureza sua capacidade de ver beleza e humor nas coisas”, avalia Tonho França, poeta e editor da Penalux.

“A crueldade da vida é que todos nós vamos morrer”, sentencia Hav, “mas a alma humana ainda é jovem e curiosa sobre o futuro”.

Para ele, a felicidade física não é nenhum crime, e a alegria, sendo tão frágil, deve ser usufruída com intensidade antes que se dissipe na crueza dos dias. O poeta ainda completa: “A vida é uma joia preciosa. Uma felicidade e melancolia permeia o cosmos”.

Um dos tradutores, Matheus Peleteiro, escreve assim na orelha do livro: “Basta um mero olhar de soslaio sob os poemas de Niels para perceber que a sua poesia pulsa. Desde as primeiras linhas da obra, faz-se evidente a sofisticada sensibilidade que o autor carrega por trás de cada verso, merecendo destaque a sua pungente – e ao mesmo tempo sutil – profundidade ao explorar e se divertir com as contradições oriundas das emoções humanas”.

Nesse sentido, os poemas do autor dinamarquês carregam um pouco de serenidade estoica, em sua aceitação da vida tal como ela é: com sua dureza e beleza. Mas por outro lado sua poesia transborda empatia, nos fazendo sorrir a partir das belas nuances que sua poética extrai e dos contrastes criados pelo senso de humor.

O poema escolhido para ilustrar a quarta do livro dá uma dimensão dos predicados da poesia de Niels Hav.

EPIGRAMA

Podes passar uma vida inteira
em companhia de palavras
sem que encontres
a adequada.

Tal como um peixe miserável
embrulhado em jornais húngaros.
Por um lado, está morto,
por outro, não entende
húngaro.

capa

O Autor

Apesar de ter nascido na cidade de Lemvig, no oeste da Dinamarca, foi na capital Copenhague que Niels se estabeleceu, onde vive até os dias atuais. Através de seus contos e poemas, vem se destacando no cenário literário contemporâneo como uma voz nórdica pulsante, sendo traduzido para diversos idiomas. Esta obra consagra a sua primeira coletânea em português.

O livro será lançado no dia 10 de agosto, sexta-feira, na livraria Tapera Taperá (Av. São Luís, 187 – 2° andar, loja 29) e contará com a participação do poeta, que virá ao Brasil exclusivamente para o evento.

Leia abaixo um poema de Niels, com tradução de Edivaldo Ferreira e Matheus Peleteiro

EM DEFESA DOS POETAS

O que devemos fazer com os poetas?
A vida é dura com eles
eles parecem tão deploráveis vestindo de preto
sua pele azulada por nevascas internas.

Poesia é uma doença terrível
o infectado caminha entre lamentos
seus gritos poluem a atmosfera como vazamentos
de usinas nucleares da mente. É tão psicótico.
A poesia é uma tirana
mantém as pessoas acordadas à noite e destrói casamentos
atrai pessoas para cabanas solitárias no meio do inverno
onde elas ficam a sofrer usando protetores de ouvidos e grossos cachecóis.
Imagine a tortura.

Poesia é uma peste
pior que a gonorreia, uma abominação terrível.
Mas pense nos poetas, é difícil pra eles
seja paciente com eles.
Eles são histéricos como se esperassem gêmeos
eles rangem os dentes enquanto dormem, eles comem lixo
e mato. Eles ficam lá fora na friagem por horas
atormentados por terríveis metáforas.
Todo dia é um dia sagrado para eles.

Oh, por favor, tenha piedade dos poetas
eles são surdos e cegos
ajude-os a atravessar o trânsito por onde vão tropeçando
sobre seus obstáculos invisíveis
lembrando todo tipo de coisas. De vez em quando
um deles para e fica ouvindo uma sirene distante.
Mostre consideração por eles.

Poetas são como crianças loucas
que foram afugentadas de suas casas por toda a família.
Reze por eles
eles nasceram infelizes
suas mães choraram por eles
procuraram ajuda de médicos e advogados,
até que tiveram que desistir
por medo de perderem a própria sanidade.
Oh, chore pelos poetas.

Nada pode salvá-los.
Infestados de poesia como leprosos secretos
eles estão encarcerados em seu próprio mundo de fantasia
um gueto macabro cheio de demônios
e fantasmas vingativos.

Quando em um dia claro de verão, o sol brilhando intensamente,
você ver um pobre poeta
cambaleando pra fora do bloco de apartamentos, parecendo pálido
como um cadáver e desfigurado por suposições
caminhe até ele e o ajude.
Amarre seus cadarços, leve-o para o parque
e ajude-o a sentar em um banco
sob o sol. Cante um pouco pra ele
compre um sorvete e conte uma história
porque ele é tão triste.
Ele está completamente arruinado pela poesia.

 

Título: A alma dança em seu berço, poesia (14×21, 90 p.).
Autor: Niels Hav
Tradução: Edivaldo Ferreira e Matheus Peleteiro.
Publicação: Editora Penalux, 2018.
Preço: 35 reais
Disponível em: http://www.editorapenalux.com.br/loja

 

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