Brechas Urbanas debate a memória estética nas cidades na perspectiva da cantora indígena We’e’ena Tikuna e da fotógrafa Claudia Jaguaribe

Na edição deste mês, o debate mensal promovido pelo Itaú Cultural para repensar a vida nas cidades traz à tona questões ligadas à memória e a ancestralidade. Para conversar com o público, foram convidadas a cantora, compositora e presidente nacional das Mulheres Brasileiras Indígenas We’e’ena Tikuna, do povo Tikuna, do Amazonas, e a fotógrafa e artista visual Claudia Jaguaribe

We e ena Tikua_Foto_Antón Carballo_IC

We’e’ena Tikuna (Foto de Antón Carballo)

Pensar as cidades contemporâneas segue sendo o estímulo da equipe do Núcleo de Comunicação do Itaú Cultural para buscar temas a serem discutidos no Brechas Urbanas, que reflitam sobre a atualidade dos que nelas vivem. A edição deste mês trata da memória no desenvolvimento do espaço público e nos ambientes urbanos. Programada para o dia 29, quarta-feira, a partir das 20h, e traz duas mulheres de regiões e realidades totalmente distintas para alimentar o debate: We’e’ena Tikuna, cantora e compositora do povo Tikuna, a maior população indígena do Brasil, e a artista visual e fotógrafa Claudia Jaguaribe, cujas imagens estão enraizadas na experiência contemporânea em trabalhos como Cidades, O Corpo da Cidade, Fantasia, Retratos Anônimos, Aeroporto e Carandiru. A mediação é da jornalista Natália Garcia.

Neste mês, o estímulo para a temática a ser abordada foi provocada por duas programações do Itaú Cultural intimamente ligadas à memória. Uma delas é a exposição German Lorca: Mosaico do Tempo – 70 anos de Fotografia, uma vez que o fotógrafo vem registrando a cidade de São Paulo desde que iniciou a sua atividade há sete décadas. A mostra estará em cartaz no instituto de 25 de agosto a 4 de novembro.  A outra é Mekukradjá – Círculo de Saberes: o movimento da memória, que reuniu indígenas de todo o país, para conversar sobre as lutas que os mais variados povos desempenham no presente, tendo a ancestralidade como referência. O evento aconteceu nos dias 22 e 23 de agosto.

Da perspectiva indígena, We’e’ena, cujo nome significa onça que nada para o outro lado no rio, fala a respeito da importância da conservação da memória dos povos tradicionais. Nascida na terra indígena Tikuna Umariaçu, no Amazonas, Alto Rio Solimões, ela se tornou uma divulgadora cultural de seu povo. Ainda, sendo a primeira cantora e compositora indígena da Amazônia que desponta no cenário nacional cantando em sua língua, é autora de mais de 10 composições incluídas no seu primeiro álbum We’e’ena – Encanto Indígena. As letras falam de resistência cultural, de identidade e dos rituais.

We’e’ena se prepara para lançar, neste ano, um livro sobre os grafismos do povo Tikuna. Carregados de sentido e significado, eles são utilizados ritualmente nas roupas e pinturas corporais que a comunidade realiza em certas ocasiões, como as de morte ou nascimento. São intensamente relacionados à preservação da tradição que se atualiza com o passar do tempo, situando os povos indígenas como contemporâneos, detentores de outras tecnologias, originadas a partir de referências e cosmovisões diferentes. Além de cantora, ela é presidente nacional das Mulheres Brasileiras Indígenas e é graduada em artes visuais. Este universo será a sua fala no Brechas Urbanas. No final do debate, ela se apresenta junto ao violinista da Orquestra Sinfônica do Rio de Janeiro, Anton Carballo, que a acompanha em uma canção autoral, cantada no idioma dos Tikuna.

A outra convidada, Claudia Jaguaribe, é formada em história da arte, artes visuais e fotografia, pela Boston University. Seu trabalho é voltado para questões relativas à paisagem urbana, meio ambiente e principalmente para a representação do real enquanto um registro conceitual. Ela mistura realidade e subjetividade, estimula a percepção acerca do que se está vendo, criando camadas de entendimentos e narrativas. A materialidade de suas obras questiona a própria natureza da fotografia e expande os formatos tradicionais do gênero, transformando imagens em foto esculturas. Um exemplo, pode ser conferido no link: https://www.youtube.com/watch?v=bPWbNIOCRsg em que ela fala a respeito da instalação EntreVistas, realizada em 2014, no Itaú Cultural. Neste trabalho ela apresenta uma experiência da cidade além da fotografia pura e simples no sentido tradicional, que na ocasião deu formas concretas a paisagens urbanas, como ela mesma conta.

Brechas Urbanas

O Brechas Urbanas foi criado a partir da aposta do Itaú Cultural de que é cada vez mais urgente repensar a vida nas cidades, tendo a arte como elemento transformador potente nesta reflexão.

“Essa pesquisa proporcionada pelos encontros nos move a propor inovações no mundo contemporâneo”, acredita Ana de Fátima Sousa, gerente do Núcleo de Comunicação do Itaú Cultural, que também assina a curadoria da programação.

Para Natália Garcia, do Cidades para Pessoas, que interpreta e experimenta ideias para cidades mais humanas, a ideia é fazer dos encontros um espaço para debater o que está por ser inventado e por ser criado dentro das ações na cidade. “Por isso convidamos artistas que estão envolvidos com essas criações e com essas ações na prática, fora da academia”, explica.

Brechas Urbanas tem a proposta de reunir mensalmente representantes de diversas áreas da arte e da cultura para fazer uma reflexão atual e propositiva sobre a vida na cidade. Além da transmissão ao vivo do programa, também com interpretação em Libras, o Itaú Cultural disponibiliza todos os eventos do gênero já realizados no CANAL – área do site do instituto voltada para conteúdos audiovisuais e multiplataformas – no endereço http://www.itaucultural.org.br/secoes/videos.

 

We’e’ena Tikuna

Além de ser a primeira cantora e compositora indígena da Amazônia que canta na língua do seu povo, os Tikuna, e de já ter se apresentado em shows por todo o país.  Vale destacar, a sua participação na Festa Nacional da Música 2017, quando foi a primeira indígena a cantar em um dos maiores encontros da música popular brasileira. Com o seu canto, abriu grandes eventos como o Rio +20, o Revelando São Paulo, Jogos Indígenas, Festival de Bertioga, Dia internacional dos Povos Indígenas. Ela foi destaque musical em programas como os de Jô Soares, Rodrigo Faro, Domingo Espetacular.

É presidente Nacional das Mulheres Brasileiras Indígenas e formada em artes visuais, arte com a qual foi premiada como a melhor artista indígena do Brasil. Doze de suas obras compõem o acervo do Instituto Dirson Costa de Arte e Cultura da Amazônia. Foi a primeira indígena Tikuna a se formar em Nutrição e é colunista da revista Conexão Mulher. We’e’ena é, ainda, palestrante e militante indígena convidada para inúmeros debates, universidades e fóruns.

 Claudia Jaguaribe

Desde o início, a sua produção fotográfica foi ligada à pesquisa editorial. Muitas de suas séries encontram a sua expressão final em formato de livro. Tem 13 deles publicados e reconhecidos pela singularidade da integração fotográfica e projeto gráfico. Em 2013 co-fundou a Editora Madalena. Seus trabalhos estão em museus e coleções brasileiras e internacionais, como o Museu de Arte Moderna, em São Paulo, o Instituto de Arte Contemporânea Inhotim, em Brumadinho (MG), Itaú Cultural, Instituto Moreira Salles, Victoria and Albert Museum de Londres, a Maison Européene de la Photographie, em Paris, ou o Instituto Ítalo Latino Americano, de Roma, entre outros.

Natalia Garcia

Jornalista, ela utiliza a profissão como ferramenta para investigar cidades. É criadora da comunidade Cidades para Pessoas, representa a embaixada brasileira da rede global de Urban Maker Pakhuis, de Zwijger, é mediadora do Brechas Urbanas (Itaú Cultural), já expôs seu trabalho no Instituto Amani, TEDx, revista Superinteressante, Instituto Goethe, SP Urbanismo, Câmara Brasileira da Indústria da Construção, Fiat, entre outros. Em todos esses trabalhos, Natália se dedica a investigar, comunicar e implementar ações práticas que melhorem a vida no planeta.

Claudia Jaguaribe_Foto_Mauro Sérgio de Almeida_IC

Claudia Jaguaribe (Foto de Mauro Sérgio de Almeida)

Brechas Urbanas – Memória estética nas cidades

Com We’e’ena Tikuna e Claudia Jaguaribe

Dia 29 de agosto, às 20h

Duração: 120 minutos

Classificação indicativa: Livre

Sala Multiúso

100 lugares

Entrada gratuita

Distribuição de ingressos:

Público preferencial: duas horas antes do evento | com direito a um acompanhante

Público não preferencial: uma hora antes do evento | um ingresso por pessoa

Interpretação em Libras

Itaú Cultural

Avenida Paulista, 149, Estação Brigadeiro do Metrô

Fones: 11. 2168-1777

Acesso para pessoas com deficiência física

Ar condicionado

Estacionamento: Entrada pela Rua Leôncio de Carvalho.

Se o visitante carimbar o tíquete na recepção do Itaú Cultural:

3 horas: R$ 7; 4 horas: R$ 9; 5 a 12 horas: R$ 12

Com manobrista e seguro, gratuito para bicicletas.

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