Aline Bei: Fardo

  a casa escura, os pais dormiam, ela gostava deles assim dormindo, lhe davam paz e ao mesmo tempo não estavam mortos. acordada sua mãe falava alto, seu pai fazia perguntas, você foi na lotérica? pagou a conta de luz? e a cabeça dela querendo apenas ser casulo, o pescoço querendo o silêncio de uma…

Aline Bei: Outra

  vomitou a janta, caldo amarelo descarga abaixo, depois olhou a própria barriga e chorou um pouco, ainda estava gorda, amanhã não comeria nada nem café. foi pro quarto, pegou uma tesoura. cortou a gola da camiseta do colégio, experimentou, a clavícula saltada. procurou então um colar na penteadeira, aquele com a mão de buda.…

Aline Bei: Berço

meu filho levanta os próprios pés, coloca na boca, a baba vai virando chuva nos carros estampados no lençol. comprei essa roupa de cama antes do Chico nascer numa loja em Osasco cheia de mães quando chega a noite a luz da loja se apaga amanhã começa tudo outra vez, se não tivesse pausa  …

Aline Bei: saudade,

  um barco nos levaria pra longe, a morte também, um beijo seu com certeza me faria soltar o balão invisível que carrego comigo especialmente para os dias sombrios, meu balão passaria pelas janelas dos apartamentos subiria até seu máximo décimo oitavo andar, depois   explodiria, arde pro balão explodir assim, mas   para as…