Aline Bei: 11 anos

  – você acha que cachorro sente tédio? – não, claro que não  – respondi como se fosse óbvio, não era, aquela pergunta ficou passeando em mim. no outro dia acordei com ela na testa, levantei da cama, fui fazer café. esperei a água ferver (a pergunta a testa) coei, enchi a caneca olhando pela…

Aline Bei: uma tarde suspensa

  tenho percebido o jeito que o seu rosto fica quando digo algo que acredito como eu disse ontem sobre não conseguir viver numa floresta, é bonito ver as árvores mas ver árvores o tempo todo eu não consigo (você ao ponto de largar tudo pra morar nos galhos como um pássaro) então enquanto eu…

Aline Bei: o ouro é outro

  o velho andava vendendo um relógio de ouro. ninguém na cidade tinha dinheiro pra comprar aquilo muito menos interesse, as pessoas olhavam pro velho pensando Se eu tivesse grana jamais compraria e sorriam dizendo Não. aos poucos o velho foi percebendo esse jeito de olhar pro relógio e olhar pra ele, isso foi o…

Aline Bei: no carro

  – o centro da cidade não era assim, filha, era todo iluminado, cheio de criança brincando na rua. não existia celular, imagina isso. eu passava dias sem dar notícia pra minha mãe e ela não ficava preocupada eram outros tempos. o dia parecia mais longo sem tanto recurso pra acabar com o tédio. a…

Aline Bei: a visita

  – você já leu o caderno rosa de lori lambi? –  perguntei mostrando o livro que não era rosa, ela olhou pra capa e pensou um pouco o tempo dela de abrir a boca e dizer algo numa conversa nunca se prendia a nenhuma ansiedade alheia. – não – ela disse finalmente. – é…