Aline Bei: diário de viagem

    o trem finalmente atingiu uma velocidade constante. ao meu lado conversavam duas mulheres numa língua que eu não conheço. parecia sério pelos gestos, um assunto inesgotável, na mesa de apoio repousava uma flor. a rosa estava tão exatamente no centro das duas que eu não saberia dizer de quem era, tampouco percebi o…

Aline Bei: Carta para V.

  -você gosta de campo? – um amigo me perguntou. -gosto. – eu disse, mas a minha cabeça estava longe, estava no corpo do poeta que morreu. -você gosta de montar a cavalo? -não, tenho pena. prefiro o bicho livre. -te entendo. minha cabeça no poeta morto que eu não conheci. estava estranhando mesmo o…

Aline Bei: Brutal

    quando chegou em casa a primeira coisa que ela fez foi pegar a gaiola. o prego inesperadamente órfão sem ter que carregar um peso, nada, começou por isso a reparar no próprio corpo enterrado na parede há tanto tempo um mundo de parede ao redor de seu ferro magro. eles se olharam, o…