Aline Bei: X

  abrindo álbuns vi uma foto minha com o rosto depois do choro, me conheço, o úmido estava discreto mas eu me conheço e li meu olho descendo pro âmago, imagine uma galáxia. é como se por dentro eu não tivesse limite, imagine um pântano. é como se eu me afogasse em mim. naquele dia,…

Aline Bei: insônia

  ela caminha. quando me vê estica até o máximo o tempo de não me cumprimentar antes que vire má educação. então me cumprimenta com o hálito quente   – a tati não te chamou pro casamento?   -não – respondo calma. – ficamos mais próximas agora e ela disse que era pequeno, o lugar,…

Aline Bei: tinha caído a ligação

  o que eu amo é a palavra – eu disse por telefone para um amigo que há tempos não conversávamos e explicando pra ele sobre o porquê de não fazer mais Teatro fui entendendo também em mim. ter um interlocutor às vezes proporciona essas reflexões que sozinhos ainda não tínhamos tido, só pensado bem…

Aline Bei: violências

  me bateu um medo de perder os olhos. ou as mãos. num acidente de carro, num incêndio. a gente estava tomando café da manhã na sua varanda você que sempre prepara meu café quando durmo na sua casa. te ver preparando sem nenhuma contrariedade sempre a mesma coisa que tomo me dá vontade de…

Aline Bei: vinte e quatro de dezembro

  achei uma tela no armário da lavanderia. minha mãe deve ter comprado naquela época que ela começou a se interessar por Pintura, depois desistiu. não é pra mim, ela me dizia chorosa. não é pra mim. a tela tinha amarelado nas bordas os dias passando sem pausa maltratam devagar todas as coisas que existem…